Após um verão muito quente e chuvoso, passamos por um período das chuvas de março fechando o verão e chegamos à nova estação, o outono, mais saborosa do ano. A alternância de chuva e sol provocou um aumento na produção de frutas; primeiro, vieram as jabuticabas, suculentas, dulcíssimas, e os pássaros se empanturraram. O que sobrou nós traçamos, mas, mesmo assim, estragou muito.
Pergunta inevitável: por que não se faz suco de jabuticaba, em nossa região? É muito saboroso, refrescante e lembra o de araçaúna. Não conhecem? Pois não sabem o que estão perdendo… Depois, vieram as goiabas, os caquis, jambos, carambolas, jamelões, pitangas, abacates e acerolas, em tanta quantidade que a maioria estragou.
Não consigo entender por que não se abrem fábricas de sucos, picolés, sorvetes ou doces de nossas frutas regionais. Nos supermercados e hortifrútis só se encontram caixas de suco de goiaba, uva, caju, maracujá, manga e laranja. Nunca vi suco de jabuticaba. E por que não?
Enquanto sobram frutas na roça, o povo da cidade só sabe que elas existem à medida que aparecem nas mãos dos camelôs, que as comercializam nos sinais de trânsito ou às portas de supermecados. Breve, chegará a vez das tangerinas poncãs. Há até pouco tempo, falávamos “mexerica pocã”, mas, agora, aprendemos que o certo é “tangerina poncã”, com uma dupla nasalização que não vai pegar na linguagem falada… Isso porque a palavra veio do japonês “ponkan”, bem como a fruta.
Com “n” ou sem ele, o certo é que é uma fruta deliciosa, bem ao gosto do brasileiro, que se adaptou bem ao nosso clima e é muito fácil de ser degustada, até mesmo no trânsito engarrafado. Com a casca grossa, fácil de ser tirada sem o uso de faca ou de canivete, ao contrário das laranjas, e sem o cheiro forte da nossa tradicional mexerica de maio, de casca fina e cheiro denunciador, por isso a chamávamos de mexerica ‘candongueira’, a tangerina poncã é apreciada por todos. Na roça, é vendida pelo produtor por poucos reais a caixa de 20 kg; nos sinais, a 10 reais a dúzia, ou menos, quando a produção é grande.
Por outro lado, os passarinhos sumiram, pois é época de muda. Estão todos silenciosos, criando os filhotes que nasceram no verão, trocando as penas; não se ouve o canto dos sabiás, que alegraram nossos dias quentes do verão, nem dos coleiros e de todos os outros com que nos habituamos a viver, no campo.
Mas, de todos eles, os de que mais sentimos falta são os canários. Acostumados com a sua proximidade, pois entram casa adentro, à procura de comidinha, fazem seus ninhos bem próximos dos nossos lares, dividimos com eles as alegrias da maternidade, a criação dos filhotes e até a dor de ver um gato faminto ceifar-lhes a vida.
Teremos de substituí-los, por um tempo, pela “seleção canarinho", que começa a se formar para a Copa do Mundo no México, EUA e Canadá”, Mas, quando julho chegar, os canarinhos voltarão para comemorarmos juntos a conquista do sempre esperado hexacampeonato, embora essa seleção do italiano não nos dê muita esperança. Neymar, Vini Jr., Pedro, sei não, me parece uma seleção tão bichada quanto as goiabas brancas do nosso outono calorento.