Como os impostos interferem no preço dos automóveis no Brasil
Peso no bolso
Como os impostos interferem no preço dos automóveis no Brasil
Além da questão da falta de insumos, que tem subido o valor dos carros com frequência, alguns impostos também exercem peso no que será pago pelo consumidor
Publicado em 27 de Janeiro de 2022 às 01:59
Públicado em
27 jan 2022 às 01:59
Colunista
Gabriel de Oliveira
gabrielpersonalcares@gmail.com
Preço do carro zero tem a incidência de vários impostos de nível estadual e também federalCrédito: Freepik
Ainda estamos no primeiro mês do ano e alguns automóveis zero quilômetro já sofreram aumento de preço. Exemplos disso são o Fiat Pulse e o Volkswagen T-Cross. O SUV compacto da montadora italiana sofreu reajuste nos primeiros dias do ano de até R$ 4 mil, dependendo da versão. Já o VW na versão Highline, que é a topo de linha, teve aumento de R$ 2.300, passando a ser vendido pela “bagatela” de R$ 155.490.
As montadoras alegam maior custo em relação à logística e continuam afirmando que a crise na importação dos semicondutores influencia diretamente nessa alta.
Porém, em que consiste o preço dos carros no Brasil? No que esse aumento desgovernado por parte das montadoras pode ocasionar no mercado automotivo a curto e médio prazo?
É sobre isso que quero falar para você nesta e na minha próxima coluna.
Na coluna de hoje vou destrinchar como é feita a composição de preços dos carros, mostrando quais são os impostos que pagamos ao comprar um veículo zero quilômetro.
É importante pontuar quais são os impostos que impactam diretamente no preço dos carros no Brasil. Abaixo segue uma relação explicativa sobre cada imposto.
ICMS
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) varia de Estado para Estado. Como estamos no Espírito Santo, o foco desta coluna será abordar valores referentes a este Estado.
Aqui, o ICMS é de 17%, ou seja, é o imposto de maior impacto no preço dos carros. Por outro lado, é geralmente essa receita que os Estados usam para investir em serviços como educação, saúde e segurança.
IPI
O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é um imposto federal, sendo assim, a regra de arrecadação é a mesma para todos os estados e sua alíquota varia de acordo com a potência do carro e se o mesmo foi produzido no Brasil ou se é importado.
Veículos com motor de mil cilindradas (1.0) têm esse imposto no percentual de 7%. Já os veículos 2.0 chegam a 11%. Lembrando que esse percentual é para veículos flex. Modelos com motor 1.0 a 2.0 movidos somente a gasolina pagam 13% desse imposto. Para automóveis de maior potência, o percentual varia de 18% a 25%. Veículos importados têm IPI de 30%, isso sem contar o imposto de importação.
COFINS
A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) é um seguro nacional, sendo assim, tem 7,6% em cima do preço final do carro e esse percentual é o mesmo para todos os Estados. A destinação desse imposto é para financiar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que paga aposentadorias, pensões e seguros-desemprego.
PIS
O Programa de Integração Social (PIS) é mais um imposto federal e desta vez serve para o pagamento de abonos a trabalhadores que ganham salário mínimo, este é o imposto com menor percentual, de 1,65%.
O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é pago anualmente. No Espírito Santo, o percentual é de 2% em cima do preço do carro, porém, esse valor varia de Estado para Estado.
Juntamente com o IPVA temos o licenciamento que também é um imposto anual e que tem valor fixado. No ano de 2022 esse valor está em R$ 193,68.
Esses são os impostos que estão embutidos no preço de um carro zero km.
Mas qual seria o preço do carro caso existisse a isenção desses impostos?
É difícil calcular com exatidão o valor que um carro seria vendido sem os impostos. Porém, uma breve projeção é de que no caso de um veículo Flex com menos de 2 mil cilindradas o total de percentual de impostos fica em torno de 28% do valor do carro.
Usando como exemplo o VW T-Cross que citei acima, que hoje é vendido por R$ 155.490, podemos ter uma estimativa de que se caso houvesse isenção dos impostos, esse veículo seria vendido por algo em torno de R$ 111.952,80. Ou seja, só de tributação, o brasileiro paga mais de R$ 43.500 para adquirir esse veículo.
ALTA CARGA TRIBUTÁRIA
Uma coisa é certa, todos sabemos que a carga tributária no Brasil é alta, principalmente quando se compara a média salarial da população, mas é inegável que há um exagero em relação aos impostos sobre os automóveis, principalmente quando comparamos com outros países, como os EUA, onde existe grande consumo de automóveis. Lá, a carga tributária gira em torno de 6,1% sobre o preço dos carros.
É difícil acreditar, mas infelizmente, é essa a realidade. No entanto, a minha explicação aqui não é tratar os impostos como os grandes vilões dos preços dos carros e sim mostrar como são um peso a mais e que poderíamos discutir outras alternativas de tirar esse peso das costas do comprador do carro zero, mas que fique satisfatório para o governo.
Porque também temos que levar em consideração que, além dos impostos, existe a margem de lucro das montadoras. E isso também influencia diretamente nessa composição de preço. E é sobre esse assunto que irei falar em minha coluna da próxima semana e de como essa alta dos preços pode impactar no mercado automotivo em geral.
A coluna traz uma análise do mercado automotivo, com tendências do segmento, panorama, dicas e orientações. Tem como público-alvo o cliente que compra carro ou moto, quer trocar de veículo, quer tirar dúvidas sobre fazer a manutenção desses bens e também de leitores apaixonados pelo tema