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Beatriz Seixas

Grupo de São Paulo compra rede de supermercados do ES

Gestão do Santo Antônio sairá das mãos da família Zouain

Publicado em 23 de Agosto de 2019 às 10:22

Públicado em 

23 ago 2019 às 10:22
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Em 2018, o Santo Antônio teve uma receita operacional líquida (que é quanto efetivamente ele recebeu pelas vendas, já descontados os impostos) de R$ 127,1 milhões, quantia 6,21% maior do que no ano anterior Crédito: Divulgação
Há mais de meio século sob o comando da família Zouain, a rede de supermercados Santo Antônio passará a ser gerida por outra empresa. O grupo de São Paulo DX Group Participações e Investimentos Eireli comprou a marca e será o responsável por administrar as sete unidades, que estão distribuídas em Guarapari (seis) e Anchieta (uma).
A negociação ainda vem sendo tratada nos bastidores e as empresas envolvidas não dão detalhes sobre o futuro do negócio. Mas a coluna apurou que o acordo entre as partes envolveu uma espécie de arrendamento do supermercado.
Assim, a companhia de São Paulo assume as lojas com os estoques que existem, com os funcionários e obrigações, que até então eram administradas pelos gestores ligados ao fundador da empresa, Jorge Zouain. Os imóveis, entretanto, não foram vendidos e permanecem com a família.
A ideia, segundo uma fonte ligada à empresa, é manter a rede supermercadista com o nome Santo Antônio, afinal, trata-se de uma marca tradicional e forte na Região Sul do Estado. Para se ter uma ideia, o supermercado ocupa a 50ª posição no ranking das maiores companhias capixabas, segundo a publicação IEL 200 Maiores e Melhores Empresas do Espírito Santo.
Em 2018, o Santo Antônio teve uma receita operacional líquida (que é quanto efetivamente ele recebeu pelas vendas, já descontados os impostos) de R$ 127,1 milhões, quantia 6,21% maior do que no ano anterior. Mas o lucro líquido foi negativo, ou seja, a empresa teve um prejuízo de R$ 4,3 milhões. Os resultados ruins são vistos como uma soma de fatores. A crise econômica dos últimos anos, a paralisação das atividades da Samarco, as dificuldades de gestão em um negócio familiar e o aumento da concorrência são alguns deles.
Na última década, Guarapari viu crescer significativamente a variedade e a quantidade de empresas varejistas. Redes de supermercados de todo o Estado e até de fora dele passaram a atuar na Cidade Saúde e a “brigar” pela demanda que, por muitos anos, era concentrada na “Maré Mansa de Guarapari”, slogan muito conhecido entre os moradores da cidade.
A DX Group Participações e Investimentos Eireli não é do ramo supermercadista, mas uma companhia focada em reestruturação de empresas. De acordo com especialistas, em geral, organizações com esse perfil costumam reerguer os negócios, torná-los rentáveis, e depois colocá-los à venda. Mas não há informações de que esse seja o desfecho para o caso do Santo Antônio.
Entre funcionários, há receio de que unidades sejam fechadas e aconteçam demissões. O sindicato dos comerciários chegou, inclusive, a ser procurado por representantes da nova gestão. O diretor administrativo, Jakson Andrade, confirma que a entidade foi comunicada de que alguns desligamentos poderiam acontecer em virtude da reestruturação da empresa, que no ano passado tinha quase 800 empregados. “Há cerca de uma semana, fomos informados de reformulações no quadro de pessoal. Mas não temos detalhes. Ficaram de retornar em um segundo momento.”
Apesar da consulta ao sindicato, internamente o Santo Antônio tem garantido aos funcionários que não haverá demissões em massa. O que pode acontecer, conforme relatam alguns profissionais da empresa, são mudanças pontuais ligadas ao perfil de determinados empregados. “A gente espera que até surjam novas contratações com o tempo”, diz uma fonte. Tomara mesmo que assim seja!

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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