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Segurança pública

Inteligência e burrice: guerra assimétrica em Jacarezinho

Ninguém jamais afirmou que o emprego maciço de serviços de inteligência reduz automaticamente os efeitos colaterais de uma operação, militar ou policial. Na verdade, boa informação não assegura decisões sábias

Publicado em 09 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

09 mai 2021 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Operação da Polícia Civil no RJ contra o tráfico de drogas no Jacarezinho
Operação da Polícia Civil no RJ contra o tráfico de drogas no Jacarezinho Crédito: Vanessa Ataliba/Zimel Press/Folhapress
É... esta semana, parece ser impossível não comentar a operação policial na favela do Jacarezinho, mas não vamos falar de direitos humanos ou de racismo. Inclusive, vamos partir do princípio de que todas as vítimas fatais, com exceção do policial André Frias, eram traficantes e foram mortas em legítima defesa.
Nosso foco será apenas na afirmativa, pelas autoridades públicas, de que seria invenção de pseudoespecialistas em segurança pública a ideia de utilizar mais intensamente os serviços de inteligência e evitar danos colaterais nas atividades de enfrentamento à violência.
Não, essa ideia não foi gestada em alguma cobertura de Ipanema, por sociólogos fumando maconha no ar condicionado, mas pelas forças armadas norte-americanas, cansadas de lutar contra grupos terroristas e insurgentes, especialmente no Oriente Médio. Os generais dos EUA chegaram à conclusão de que, toda vez que um talibã é abatido, seus amigos e parentes mais se aproximam dos jihadistas, seja ingressando em suas fileiras, seja ajudando-os de outra forma. No mínimo, deixam de dar qualquer apoio aos militares americanos e às autoridades locais simpáticas aos estrangeiros.
Desde então, os Estados Unidos decidiram evitar confrontos diretos, para não ferir civis inocentes e nem mesmo os próprios terroristas, realizando apenas operações “stitch” contra alvos estratégicos.
Osama Bin Laden (2011), o general Qasem Soleimani (2020), tido como o mentor intelectual de todo o terrorismo iraniano e o principal cientista nuclear do mesmo país, Mohsen Fakhrizadeh-Mahavadi (2020),  todos foram cirurgicamente executados em operações desse tipo, a última delas atribuída a Israel, levando consigo apenas seus próprios seguranças.
Quem quiser entender melhor essa lógica pode acessar este link. O texto está em inglês, mas este colunista tem a permissão dos autores para fornecê-lo traduzido.
Ninguém jamais afirmou que o emprego maciço de serviços de inteligência reduz automaticamente os efeitos colaterais de uma operação, militar ou policial. Na verdade, boa informação não assegura decisões sábias, especialmente se o decisor não ultrapassar o raciocínio concreto, se tampouco distinguir entre resultados operacionais, táticos e estratégicos.
Os sertanejos não temiam os cangaceiros mais que às volantes, e são inúmeros os registros dos que ingressaram no crime para se vingar de violências sofridas. O próprio Lampião entrou para o bando de Sinhô Pereira, sendo seguido por irmãos Esperança, Vassoura e Ponto Fino, seu irmão adotivo Antônio Rosa, seu cunhado Moderno e outros parentes, após seu pai ser morto por policiais. Ressalte-se: para ele, era irrelevante se essa ação contra sua família estava ou não dentro da lei.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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