Lá vai o Espírito Santo novamente estreando problemas de segurança pública que até pouco tempo atrás eram exclusividade de outros estados. Então um grupo armado para uma guerra toma o controle total de uma cidade pequena, saqueia agências bancárias, toca o terror na população e até mesmo nos poucos policiais de serviço e some sem deixar rastro. É o “novo cangaço” batendo às nossas portas.
Como se trata de localidades usualmente muito pacatas, pouco ou nada é feito para prevenir esse tipo de ação, e há muito o que se pode fazer. De um lado, é preciso acostumar as pessoas a usar dinheiro de “plástico” e transações eletrônicas. Era dia de pagamento da prefeitura e, tal como uma cidade no velho oeste, havia muito dinheiro em espécie nos cofres... É claro que foi isso que atraiu os criminosos. Aposto como em Santa Leopoldina esse tipo de hábito será repensado, mas toda e qualquer cidade pequena ou distrito precisa botar a barba de molho.
Outra questão que pode ser melhorada é assegurar que todos os policiais residam na cidade onde trabalham. Assim, mesmo de folga, eles podem ser um contingente de reforço, reduzindo a vulnerabilidade.
E, é claro, esses crimes são passíveis de investigação. O correto seria que a Polícia Federal tivesse pessoal suficiente para esse trabalho, que é incumbência dela, já que tais crimes são cometidos por quadrilhas que atuam em todo o país.
Não vejo utilidade prática em alterações legislativas. Isso acaba virando um discurso político eleitoreiro, de governos que não dão aos policiais os instrumentos necessários para fazer o seu trabalho, mas mostram para a população que “estão fazendo o possível”. Se os criminosos não forem presos, é irrelevante que as penas sejam aumentadas; se o forem, as leis que temos são suficientes para mantê-los muitos anos atrás das grades.
Em casos como o de Santa Leopoldina, seria impossível adivinhar o ataque a menos que serviços de inteligência já viessem monitorando a quadrilha; por outro lado, é inviável manter em cada pequeno rincão do Estado um efetivo suficiente para enfrentar um ataque dessas dimensões. A verdade verdadeira é que o governo federal não assume suas responsabilidades em matéria de segurança pública. Em particular, o efetivo da Polícia Federal é irrisório perto de suas atribuições.