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Mortes no trânsito

Saída para a violência no trânsito é a fiscalização cotidiana

Essa violência é, sim, uma questão de segurança pública, um caso de polícia e responsável por dezenas de milhares de mortes no Brasil todos os anos

Publicado em 02 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

02 mai 2021 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Toyota Corolla envolvido no acidente que matou Amanda Marques na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha
Toyota Corolla envolvido no acidente que matou Amanda Marques, na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha Crédito: Reprodução
Embora grande parte da população não veja assim, a violência no trânsito é, sim, uma questão de segurança pública, um caso de polícia e responsável por dezenas de milhares de mortes no Brasil todos os anos. Claro que nem todos esses casos fatais constituem crimes, até porque a vítima pode ser a principal responsável, mas, com algumas peculiaridades, é um dos campos em que o trabalho de policiamento preventivo pode ser mais efetivo.
Cada acidente com morte devido a excesso de velocidade ou uso de álcool poderia ter sido mais um caso em que infrações ao volante não tiveram maiores consequências e nem mesmo resultaram em multas. Por outro lado, essas condutas perigosas e ilegais não encontram nem de longe a mesma reprovação social, exceto quando realmente resultam em alguma tragédia.
É um completo equívoco tratar de maneira escandalosa e excessivamente severa um ou outro caso de repercussão e, contraditoriamente, fechar os olhos para comportamentos idênticos que, por pura sorte, não tiveram desdobramentos tão graves.
Um dos grandes problemas é que há uma inversão no papel que cada estrato social desempenha nesse enredo. Como é preciso um veículo para causar um acidente de trânsito, a participação do andar de cima como autor do crime aumenta muito, ao passo que a vítima, muitas vezes é pedestre e sem posses. É curioso como, mudando a cor da pele do acusado e da vítima, muda a intensidade com que a sociedade cobra punição.
É, por outro lado, um completo equívoco apostar em penas severíssimas raramente aplicadas. Com toda certeza, este é o conjunto de comportamentos ilícitos em que a probabilidade de punição se mostra ainda mais importante que a dureza dela. Multas e a cassação ou suspensão da licença para guiar podem e devem ser as principais mecanismos de enfrentamento, enquanto a fiscalização e o policiamento preventivo, com frequentes abordagens e recurso a meios tecnológicos, as suas principais ferramentas de execução.
Processos criminais são sempre demorados, caríssimos para o Estado, como também a manutenção de pessoas no cárcere. Além disso, quando chegamos a esse ponto é porque alguém já perdeu a vida.
Sanções administrativas exigem menos provas, podem ser aplicadas por procedimentos simplificados e rápidos e, embora a arrecadação com as multas recolhidas não seja uma fonte relevante de receita (ao contrário do que sustentam as teorias conspiratórias das indústrias das multas), a relação entre o custo e o benefício para sociedade é muito melhor que penas estratosféricas para alguns poucos – sem questionar que possam ser merecidas: somente precisamos admitir que elas são impotentes para mudar comportamentos individuais e, principalmente, uma cultura arraigada, um descaso coletivo com a própria vida e a alheia, apenas porque o instrumento de morte não é uma arma de fogo.
Não precisamos de leis mais duras ou de uma aplicação mais rigorosa das já existentes. A saída para a violência no trânsito é a fiscalização cotidiana.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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