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Comunicação

Segurança pública: a tecnologia da informação na idade da pedra

Cada um dos tribunais do país pode adotar um sistema diferente para controlar os seus processos. Cada polícia também pode ter os seus softwares

Publicado em 24 de Setembro de 2023 às 00:30

Públicado em 

24 set 2023 às 00:30
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Talvez o maior desafio na implementação de soluções tecnológicas não seja tanto o seu desenvolvimento quanto a integração entre os recursos. São milhares de empresas espalhadas pelo mundo ampliando os recursos disponíveis, mas elas frequentemente não combinam as coisas entre si.
Além disso, na própria empresa ou instituição pública, funcionários mais proativos também inventam dispositivos e, principalmente, programas de informática para resolver suas necessidades. O resultado é uma Babel de aparelhos e equipamentos, bancos e sistemas de processamentos de dados etc. que não conversam entre si.
Um excelente exemplo, que seria anedótico se não fosse trágico, são as plataformas Lattes, mantida pelo CNPq e Sucupira, da Capes. Tudo o que é produzido pelos programas de mestrado e doutorado em todo o país precisa ser alimentado nesses dois sistemas, que tem basicamente a mesma função: informar aos órgãos federais o que cada professor ou aluno andou fazendo, para que eles possam ser avaliados individualmente, mas também coletivamente, ou seja, para avaliação de cada curso de pós-graduação stricto sensu.
Sutis diferenças fazem com que o professor ou aluno lança no Lattes precise ser verificado e importado manualmente pelos coordenadores dos cursos. Além disso, nenhum desses programas é amigável à administração das instituições de ensino. Ora, se elas recebem notas segundo o resultado do trabalho de seus professores, nada mais justo que estes também fossem avaliados internamente pelos mesmos critérios, alinhando toda a estrutura.
Acontece que a Sucupira só fornece os elementos necessários aos avaliadores da Capes; o Lattes, só aos do CNPq. Os gestores das universidades volta e meia precisam pedir relatórios escritos aos próprios professores...
Um computador não pode ser visto como um simples substituto da antiga máquina de escrever. Ele tem muitas outras possibilidades, inclusive a de trabalhar de maneira integrada em rede, como é o caso da internet. Acontece que isso gera quantidades colossais de informação, ainda mais depois que começamos a aproveitar os chamados big data. Colocar o ser humano para integrar manualmente dois computadores que não falam entre si é algo que espantaria Fred Flintstone.
Outro detalhe é que vivemos em um país de dimensões continentais, com muitas unidades administrativas com bastante autonomia. Então, cada um dos tribunais do país pode adotar um sistema diferente para controlar os seus processos. Cada polícia também pode ter os seus softwares. Assim, se a polícia do Espírito Santo precisar de informações contidas no banco de dados de outro estado, é bem possível que não tenha acesso direto e, mesmo havendo disposição de colaborar, provavelmente será necessário mandar ofícios para lá e para cá.
Profissional da área de tecnologia da informação
Profissional da área de tecnologia da informação Crédito: Pressfoto/Freepik
A única solução possível é que autoridades centrais coordenem em nível nacional a integração entre os sistemas e recursos já existentes, mas também o desenvolvimento ou aquisição de novos, de tal maneira que cada tijolinho colocado nessas estruturas esteja bem encaixado nos outros.
Esse papel pode caber ao CNJ, por exemplo, no âmbito do Judiciário, ou à Senasp, na segurança pública, mas não é nada fácil, até porque há sempre uma disputa de egos sobre qual sistema é melhor e deve prevalecer. Não é fácil, mas precisa ser feito, porque não adianta muito ter computadores poderosíssimos que, por não funcionarem de maneira integrada, precisam ser operados por um funcionário com um machado de pedra.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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