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Investigações

Sobre assassinos de empresário em Vila Velha: agora aqui se faz, aqui se paga

O importante é que essa estrutura investigatória tem estado disponível para todos os homicídios e latrocínios, resultando em poucos crimes sem esclarecimento

Publicado em 06 de Julho de 2025 às 03:00

Públicado em 

06 jul 2025 às 03:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Toda a sociedade capixaba está acompanhando as investigações do assassinato do empresário Wallace Borges Lovato em Vila Velha. Os criminosos mostraram muito profissionalismo e organização, mas não contavam que a polícia do ES seria ainda mais competente e estruturada.
Trouxeram executores de fora do Estado, evitando o transporte aéreo ou mesmo por ônibus, que registrariam suas identidades, mas as autoridades foram catá-los, um em Minas Gerais, outro na distante cidade de Sumé, na Paraíba. Depois o fio foi sendo puxado, identificaram o intermediário e tem um mandante que pode ainda estar à solta, mas certamente está sentindo um bafo frio na nuca. Como a polícia do ES conseguiu descobrir tudo tão rapidamente? Eles têm bolas de cristal de vários tipos e muito boas.
O detalhe não é a solução rápida de um caso de repercussão. Isso já aconteceu muitas outras vezes. O importante é que essa estrutura investigatória tem estado disponível para todos os homicídios e latrocínios, resultando em poucos crimes sem esclarecimento. E estão previstos novos concursos para fortalecer ainda mais a Polícia Civil, responsável por essas investigações. E é torcer para que haja sempre mais investimentos em softwares, equipamentos de perícia, câmeras de vigilância etc.
Imagens mostram momento que empresário é morto em Vila Velha
Imagens mostram momento que empresário é morto em Vila Velha Crédito: Imagens de segurança
Claro que ainda há muito o que melhorar, mas quem tem idade suficiente e memória sabe que até 2002 nem sequer eram abertos inquéritos se as vítimas não fossem identificadas. E, mesmo que houvesse um inquérito instaurado, as diligências eram limitadíssimas, a perícia tinha condições precárias para colaborar e vai por aí. A impunidade era quase total.
Vamos entender: há alguns crimes, como o tráfico, que são praticamente imunes às prisões, pois o espaço deixado pelo traficante é imediatamente ocupado por outro; além disso, ao escolher se tornar esse tipo de delinquente, o indivíduo sempre conta, no mínimo, com muitos anos de prisão e, na verdade, sabe perfeitamente que provavelmente será assassinado em breve.
Já os homicídios são fortemente desestimulados pela perspectiva de punição severa e, principalmente, garantida. É isso o que prova a sistemática redução do número de assassinatos no ES nos últimos anos: aumentam as prisões, caem os crimes.
Secretário de Segurança está correto: o ES não é mais lugar para crimes de mando. Nem para qualquer outro homicídio, diga-se de passagem. Isso está entrando aos poucos até na cabeça dos traficantes, que ainda são responsáveis pela maior parte das nossas estatísticas, mas andam se contendo cada vez mais.
Com esses bons resultados, já vemos um incremento embrionário de investigações dos crimes patrimoniais, que também podem melhorar muito. Sendo que o furto e, principalmente, o roubo, isto é, o delito patrimonial cometido com violência contra a vítima, são o grande temor da população. Já que estamos no caminho certo e a estrada é boa, é hora de pisar no acelerador.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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