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História

Em 1932, Olimpíadas foram destaque na imprensa capixaba

Entre as inovações no formato do evento, constam a instituição do pódio e o hasteamento das bandeiras dos vencedores. O grande impacto, no entanto, ficou para a construção da Vila Olímpica

Publicado em 10 de Agosto de 2021 às 02:00

Públicado em 

10 ago 2021 às 02:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

herinter@hotmail.com

Olimpíadas de 1932, em Los Angeles
Estádio Olímpico, em Los Angeles, nos Jogos Olímpicos de 1932 Crédito: Comitê Olímpico/Arquivo
O décimo Jogos Olímpicos de Verão foi realizado de 30 de julho a 14 de agosto de 1932, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A edição contou com a presença de 37 países e 1334 atletas e tornou-se uma das primeiras a ter relevância na imprensa capixaba, sobretudo no jornal Diário da Manhã, que a rotulou de a “Grandiosa Olimpíada de Los Angeles”.
Em janeiro do ano anterior, nas primeiras informações divulgadas aos capixabas, o periódico local já realçava as “grandes facilidades” para os atletas, como estádios, pistas, ginásios, piscinas, tanque para provas de remo e o “auditório olímpico”, com capacidade para mais de 10 mil espectadores.
Entre as inovações no formato do evento, constam a instituição do pódio e o hasteamento das bandeiras dos vencedores. O grande impacto, no entanto, ficou para a construção da Vila Olímpica, igualmente exaltada pelo Diário da Manhã: “A Vila Olímpica, que foi construída para acomodar os concorrentes e seus treinadores, fica a 10 minutos do Estádio e é a última palavra em conforto e luxo. Não houve economias na construção desse magnífico edifício, um verdadeiro palácio, cujo custo, ao que se afirma, foi superior a 50.000 contos”.
De todas as disputas, frisava o jornal, o Decatlo, modalidade de atletismo composta de dez provas, é a “que maior interesse desperta”. Em relação às esperanças brasileiras, o noticioso mencionou Adalberto Cardoso, Xavier, Lúcio e Padilha, ambos do atletismo, além do time de polo aquático, “computado entre os mais sérios concorrentes”.
A equipe de polo, aliás, não aceitando a derrota para a Alemanha, chegou a agredir fisicamente o árbitro da partida e acabou banida dos jogos. Esse caso também repercutiu no Estado, e o Diário da Manhã registrou a atitude tomada pela Confederação Brasileira de Desportos, por unanimidade de votos, de eliminar os jogadores Castelo Branco, Serpa e Pernambuco por “não honrar o tradicional conceito de que goza, lá fora, o esporte nacional”.
Finalizada a competição, o destaque jornalístico ficou para “a retumbante vitória dos estadunidenses”, líderes no quadro de medalhas, para os recordes mundiais e olímpicos, bem como para o público de 100 mil pessoas presentes na cerimônia de encerramento.
Com estrutura interna modesta e pouco investimento, o Brasil ainda participou das provas de natação, remo e tiro esportivo. Por fim, a delegação do país, constituída de 65 homens e apenas uma mulher, a nadadora Maria Lenk, voltaria para casa sem medalhas.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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