A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 5 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data, criada em 1972, proporciona momentos de reflexão sobre os impactos causados pela ação do homem na Terra e incentiva atitudes em benefício do principal tesouro do planeta: a natureza.
O tema escolhido para 2020 é a biodiversidade. O Brasil, detentor da maior biodiversidade do mundo, é protagonista no assunto, no entanto, atualmente é um péssimo exemplo, a começar pelo comportamento do presidente Jair Bolsonaro, que jamais incluiu a preservação do meio ambiente entre suas prioridades e não perde a oportunidade de confrontar organizações não governamentais, lideranças indígenas e até militantes famosos como o ator Leonardo DiCaprio e a adolescente sueca Greta Thunberg.
Assim, estimulados pelo capitão, boa parte dos seus apoiadores, quando escutam ambientalistas, partem para argumentos confusos e transformam um tema relacionado à sobrevivência humana numa mera disputa política, coisa de “comunista”, “petista”, “esquerdopata”, o que assusta inicialmente, mas não pode intimidar a luta por objetivos muito maiores do que políticos passageiros.
No Espírito Santo, vale lembrar, um ícone das causas ambientais também conviveu com injustiças e ataques de poderosos. Trata-se de Augusto Ruschi (1915-1986), renomado cientista nascido no município de Santa Teresa e considerado o Patrono da Ecologia do Brasil, título concedido pela Lei federal n° 8.917, de 13 de julho de 1994. De trajetória corajosa e brilhante, Ruschi é mais um daqueles personagens de nossa história que deveriam ser estudados em todas as escolas do estado.
Se estivesse vivo, o naturalista capixaba estaria na batalha, afinal, não há o que comemorar. Nosso país, duas vezes anfitrião do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 1992 e 2012, tem colecionado notícias negativas na área, mesmo durante a pandemia. Além do crescente desmatamento, a última assustadora veio da reunião de ministros realizada no dia 22 de abril, na qual o do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de forma cruel e calculada, disse que o foco da mídia e da sociedade no coronavírus era uma oportunidade para “passar a boiada” e mudar normas do setor, algo tão estúpido e revelador dos seus propósitos que tornam indefensável a sua permanência no cargo.
A destruição da natureza é um caminho perigoso. Logo, a ideia de que é necessário abrir mão do patrimônio ambiental para desenvolver a economia é falsa e não atende aos interesses da sociedade. O concreto é que, caso a “boiada” passe, o resultado será dramático, similar ao previsto por Augusto Ruschi numa entrevista ao jornal “O Pasquim”, em 1977: “o deserto brasileiro virá, não tem dúvida, é inevitável quando se destruírem as matas, os rios...”.