Será entregue amanhã, 26 de agosto, o Prêmio Dom Luís, edição de 2021. Nós tivemos a presença de Dom Luis Gonzaga Fernandes, como bispo auxiliar de Vitória, durante 15 anos. Quando foi nomeado para Campina Grande, essa transferência nos desagradou.
Lembramo-nos dos primeiros tempos do Cristianismo, quando as comunidades cristãs escolhiam seus bispos. Sentimo-nos feridos porque fomos despojados de nosso bispo, sem qualquer consulta a nossas opiniões. Mas D. Luis foi para Campina Grande e ali ficou. Faleceu no Estado da Paraíba, no dia 4 de abril de 2003.
D. Luis compreendeu que o bispo não é apenas um pastor local. É um peregrino e seu destino é caminhar. De um lado, foi um homem ligado a seu tempo e preocupado com o destino do seu país, da América Latina, do mundo e, dentro do mundo, especialmente preocupado com os países pobres e os pobres dos países pobres.
De outro lado, foi o nordestino, com a fibra nordestina, capaz de vencer qualquer barreira, esperar qualquer espera, fiado não no provérbio popular (Deus tarda mas não falha), porém num outro provérbio ainda mais rico de esperança (Deus nunca tarda, nós é que somos apressados).
Sempre vi em D. Luis a figura do profeta, aquele que nunca se omite quando deve anunciar a Justiça e denunciar a injustiça. Outro traço notável seu foi a capacidade de valorizar as pessoas, identificar os dons de cada um e fazer com que frutifique toda a potencialidade de seus colaboradores.
A D. Luis agradeço ter sido chamado para integrar a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória. Foi o fato mais relevante de minha vida. Na Comissão de Justiça e Paz aprendi mais Direito do que na universidade e nos livros. Se algum fruto daí resultou, se no magistério ensinei lições de cidadania, se como juiz pude fazer Justiça e “ouvir os clamores do povo”, tudo isso aconteceu porque recebi o “batismo” da Comissão de Justiça e Paz, porque com os companheiros de caminhada e com o povo sofredor vi luzir, na escuridão, a Estrela Matutina.