Com a proximidade do final do ano, é possível apontar o controle da inflação, a redução do desemprego e o combate ao desmatamento e ao garimpo ilegal na Amazônia como as mais expressivas realizações do governo Lula em 2023. Com uma ressalva: os índices de inflação caíram graças à política monetária do Banco Central que é criticada, dia sim e dia não, pelo presidente e pelo seu ministro da Fazenda. Ou seja, se fosse pelos desejos de Lula, os juros não estariam no nível que estão e, certamente, a inflação não teria caído ao patamar de 4,68% em 12 meses, como chegou no mês passado.
Lula e Haddad vivem repetindo que os juros reais do Brasil são os maiores do mundo, mas é preciso reconhecer que a cautela com que o Banco Central, através do Copom, o Comitê de Política Monetária formada por oito membros da diretoria colegiada do banco, vem graduando a queda dos juros tem sido fundamental para controlar o dinheiro em circulação e, consequentemente, a pressão sobre o consumo e a inflação.
É a prudência do Banco Central – e a sua coragem de resistir às pressões políticas, vindas principalmente de Lula e do PT – a responsável por manter, até agosto, a taxa Selic em 13,75% ao ano para, só a partir daí, fazer reduções de 0,5 ponto percentual ao mês garantindo aquilo que os economistas chamam de “pouso suave”, o que evita oscilações bruscas na economia.
Como o mandato do presidente do Banco Central só termina no final de 2024, pelo menos até lá a redução gradual da Selic deve ser mantida, apesar dos ataques do governo federal que, como se sabe, não acredita em austeridade fiscal ou monetária.
Contudo, é preciso reconhecer os avanços na área ambiental e no crescimento da economia com a redução do desemprego. O desemprego chegou, no trimestre encerrado em outubro, a 7,6%, o menor índice desde 2014 quando foi de 6,7%. Pode não ser o ideal, e não é já que o país não conseguiu ainda, no que se refere à geração de postos de trabalho, se recuperar da crise econômica do governo Dilma, mas não deixa de ser um alento constatar que 545 mil brasileiros conseguiram trabalho nos últimos 12 meses. E o combate ao garimpo ilegal já destruiu R$ 1 bilhão em bens e maquinários dos criminosos que envenenam, com mercúrio, os rios da Amazônia.
Mas o governo Lula acumula, também, pontos negativos expressivos. Entre os quais está a sua errática política externa que chega a se aproximar de líderes políticos que invadem ou ameaçam invadir outras nações como Putin e Maduro, e grupos terroristas como o Hamas.
Acrescente-se a essa conta também as equivocadas indicações de Lula para ocupar vagas no Supremo Tribunal Federal como a de Zanin, seu advogado pessoal (quebrando um dos princípios mais consagrados na Constituição de 1988 que é o da impessoalidade) e a de Flávio Dino, um político que dificilmente contribuirá para reduzir o já elevado nível de ativismo político da atual composição do Supremo.
Caso se concretize a nomeação de Ricardo Lewandowski como ministro da Justiça, Lula estará cometendo outro equívoco de grandes dimensões, logo ele que, assim como os integrantes do seu partido, o PT, tanto criticou a nomeação de Sérgio Moro como ministro do Governo Bolsonaro, chegando a acusá-lo de ter tido motivação política nos julgamentos em que atuou como juiz.
E o que dizer de Lewandowski que anulou, em decisão monocrática, toda a delação premiada da Odebrecht e foi um dos ministros que capitaneou a decisão que considerou parcial o então juiz Sérgio Moro na ação penal contra Lula?
Lula chega, assim, ao final do primeiro ano de governo, entre vitórias e trombadas, dando aos brasileiros a impressão de que poderá colher bons frutos na economia (desde que decida frear os gastos e manter o equilíbrio das contas públicas) e acumular equívocos lamentáveis se não corrigir a forma como conduz a política externa e como usa o fígado, e a máquina pública do Estado brasileiro, para proteger os amigos e perseguir os inimigos.