Escrevi neste espaço no dia 25 de dezembro do ano passado: “Este não é o Natal que desejamos, é o que temos”. É que o Natal de 2020 foi comemorado de maneira mais contida, discreta, “como convém e é possível nesses tempos de pandemia”. Vivíamos o limiar da terceira onda da Covid-19, com 27 mortos por dia no Espírito Santo e 506 no Brasil. Nem mesmo os mais pessimistas avaliavam que em abril chegaríamos à média de 72 mortes por dia no Espírito Santo e 1.480 no Brasil.
Não há quem não tenha perdido um ente querido no auge da Covid-19. Perdi uma vizinha no prédio onde moro, um colega da minha turma de faculdade e pelo menos um dos meus alunos. Mais de uma dezena de amigos estiveram hospitalizados por um bom tempo, a maioria deles tendo passado pelo sacrifício da intubação.
Hoje, felizmente, a ameaça é menor, graças à vacinação, mas ainda é enorme com uma nova variante se aproximando. Morrem, em média, 4 capixabas e 136 brasileiros todos os dias vítimas da pandemia. Mas, pelo menos, já podemos visitar nossos familiares, retornar à parte da nossa rotina, caminhar no calçadão e ir à igreja e à praia com um pouco mais de tranquilidade. Evitando aglomerações, é claro.
Por isso, temos muito a agradecer neste Natal de 2021. Agradecer por estarmos conseguindo vencer esse período que, possivelmente, é um dos mais difíceis da nossa vida. Quem poderia supor que iríamos passar dois anos sem poder abraçar os nossos familiares? Sem poder ir trabalhar, fazer compras ou simplesmente passear sem manter um distanciamento mínimo de 2,5 metros? Que passaríamos a usar máscaras como sempre fizeram os turistas japoneses quando visitam outros países?
E quanto às metas que não atingimos e as realizações que não alcançamos neste ano – em grande parte por causa da Covid-19 – devemos manter a persistência e a confiança de que poderemos conquistá-las desde que sejamos capazes de manter a nossa fé. Vale aqui relembrar uma das lições de Cristo: “Se tiveres fé, cumpre saber que tudo é possível àquele que a tem”.
Por isso, o Natal 2021 merece ser comemorado como o Natal da esperança. A esperança de que fiquem para trás os períodos em que fomos atormentados por esse vírus terrível que ainda nos ameaça, mas que aprendemos a enfrentar. Aprendemos não só a enfrentar como também a vencer, graças às vacinas e ao empenho comovente do pessoal da área de saúde que se desdobrou – e desdobra – para superar os obstáculos e para dar um tratamento digno a todos nós, brasileiros.
E, aqui para nós, pessoal que ainda tem que nadar contra a maré do negacionismo oficial que nega persistentemente o vírus, a gravidade da pandemia, a quantidade de mortos, a eficácia das vacinas e os alertas e orientações das autoridades sanitárias.