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Economia

Lula continua terceirizando responsabilidades

Será que, algum dia, Lula será capaz de compreender que, se não cortar gastos, a taxa de juros precisará aumentar ainda mais? Ou vai continuar responsabilizando os outros pelos problemas do seu governo?

Publicado em 16 de Maio de 2025 às 04:15

Públicado em 

16 mai 2025 às 04:15
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Assim como muitos outros agentes públicos, o presidente Lula é mestre em tentar eleger culpados pelos erros do seu governo, terceirizando responsabilidades. Foi assim, por exemplo, nos dois primeiros anos do seu atual mandato quando culpou o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pelos problemas eu enfrentava.
Dizia Lula, dia sim e outro também, que a taxa de juros Selic, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) – que é formado pelo presidente do Banco Central e integrantes da diretoria colegiada do banco – era a grande culpada pelas dificuldades que enfrentava.
Em julho do ano passado Lula disse que “o Banco Central não pode estar a serviço do mercado” e que não tinha que prestar contas a “banqueiro” ou a “ricaço”, mas sim “ao povo pobre do país”. Um mês antes chegou a criticar a autonomia operacional do Banco Central (estabelecida por lei), inconformado com a taxa Selic que, na época, era de 10,5% ao ano: “Autonomia de quem? Para servir a quem? Quem quer o Banco Central autônomo é o mercado”.
Em várias ocasiões Lula se referia ao presidente do Banco Central como “esse rapaz” que “tem um comportamento anti-Brasil”, “um cara que fala mal do Brasil o tempo inteiro”. “Só de juros, no ano passado, foram R$ 790 bilhões que a gente pagou”, desabafou Lula em junho.
Revelando não compreender a função do Banco Central, que é a de, através da política monetária na qual está incluída a fixação da taxa de juros, tentar colocar o país no caminho que leve ao cumprimento da meta de inflação (de 3% ao ano), Lula prometeu, no ano passado, indicar, “um sucessor (de Campos Neto) que tenha a coragem de reduzir a taxa de juros”.
A obsessão de Lula com relação a Campos Neto decorria do fato de que o mandato do presidente do Banco Central só terminaria – como de fato terminou – em 31 de dezembro de 2024. Para exonerá-lo antes dessa data Lula teria, de acordo com a legislação, que justificar a demissão e receber o aval do Senado, o que era inviável considerando que o Copom nada fazia a não ser cumprir o seu papel. Acrescente-se que o Copom, onde estavam quatro indicados por Lula – em um total de nove integrantes – quase sempre decidia a fixação da taxa de juros por unanimidade.
Campos Neto deixou a presidência do Banco Central em 31 de dezembro de 2024 – quando a taxa Selic era de 12,25% – e o seu sucessor, escolhido por Lula, foi Gabriel Galípolo. Galípolo que, no entendimento de Lula, seria o tal que teria “a coragem de reduzir a taxa de juros”. E o que aconteceu desde então? As três reuniões do Copom, realizadas em 30/1/25, 20/3/25 e 8/5/25, decidiram, por unanimidade, aumentar ainda mais a taxa de juros para 13,25%, 14,25% e 14,75%. E qual foi a reação de Lula? Silêncio total.
As razões que levaram o Copom a aumentar a taxa Selic neste ano são, basicamente, as mesmas dos aumentos anteriores: a pressão inflacionária ocasionada, principalmente, pelos gastos do governo que estouram o orçamento e turbinam o endividamento público. A inflação já ultrapassou o limite da meta (em março atingiu 5,53%) e a dívida pública se aproxima dos 80% do PIB (em março chegou a 75,9%).
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva em Moscou, na Rússia
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva em Moscou, na Rússia Crédito: Ricardo Stuckert / PR
Com toda elegância, o Copom justificou a alta da taxa de juros na ata da sua última reunião pelo “crescimento mais forte nos últimos meses dado a estímulos fiscais” já que a política fiscal “é um dos elementos que considera para definir a taxa de juros”. Em outras palavras: o crescimento do PIB tem sido turbinado pelos gastos do governo que geram mais inflação que, para ser controlada, exige uma taxa de juros em um patamar que iniba o consumo.
Será que, algum dia, Lula será capaz de compreender que, se não cortar gastos, a taxa de juros precisará aumentar ainda mais? Ou vai continuar responsabilizando os outros pelos problemas do seu governo?

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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