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Política

Será a “oposição responsável” de Bolsonaro mais uma fake news?

De Bolsonaro e de seus filhos, até então, não havia sido ouvida uma palavra sequer que contribuísse para que o bom senso retornasse à política brasileira

Publicado em 17 de Fevereiro de 2023 às 00:15

Públicado em 

17 fev 2023 às 00:15
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Depois de tantas notícias ruins, fabricadas tanto pelos vencedores quanto pelos perdedores das últimas eleições, eis que surge uma informação que cria esperanças de que o Brasil pode, enfim, sonhar com um futuro menos negativo: o ex-presidente Jair Bolsonaro, em declaração feita no dia 10 ao podcast “The Charlie Kirk Show”, apresentado por um militante da extrema-direita norte-americana, anunciou que pretende, ao retornar ao Brasil, fazer uma “oposição responsável ao atual governo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Se, de fato, o ex-presidente fizer o que prometeu, isso parece ser a primeira coisa sensata feita por ele nos últimos anos. Até então, dele, seus filhos e muitos dos seus correligionários e seguidores, o que se viu foram campanhas equivocadas colocando em dúvida a lisura das eleições brasileiras – não só as atuais como também as anteriores –, ataques às instituições – notadamente o Supremo Tribunal Federal –, e o incentivo a atos antidemocráticos como as manifestações na frente dos quartéis reivindicando golpe militar que derrubasse o presidente vencedor das eleições. A campanha foi tão intensa, utilizando fartamente fake news nas redes sociais, que resultou da tresloucada depredação dos prédios dos três poderes em Brasília em 8 de janeiro.
De Bolsonaro e de seus filhos, até então, não havia sido ouvida uma palavra sequer que contribuísse para que o bom senso retornasse à política brasileira. Mesmo que muitos dos partidos que o apoiaram já tenham se integrado ao governo eleito e empossado, inclusive ocupando pastas ministeriais, Bolsonaro permanecia mudo no recesso que decidiu cumprir na Flórida. Na mesma entrevista dada no dia 10, ele explicou que preferiu “ficar afastado do início do governo que assumiu agora (...) para não ser acusado de colaborar com uma forma desastrada de começar aquele governo”.
É claro que outros motivos podem ter contribuído para que Bolsonaro passasse a adotar um discurso mais comedido. Um deles pode ter sido o fato de que, com a adesão de muitos dos seus correligionários ao governo Lula, ele passasse a ficar isolado no seu radicalismo. Outra razão pode ter sido a péssima repercussão da depredação dos prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal pela turba de baderneiros que agora está presa e/ou processada. Mas, seja o que for, é reconfortante saber que Bolsonaro pode, enfim, estar se convencendo de que o melhor que pode fazer é retornar à política civilizada – se é que algum dia ele já esteve nela – própria dos regimes democráticos.
Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Até porque, convenhamos, o presidente Lula tem dado muitos espaços para que cresça uma “oposição responsável” ao seu governo. Se Lula tem acertado quando levanta a bandeira de defesa da Amazônia e da reconstrução do esquema de vigilância e proteção que podem reduzir drasticamente o desmatamento e o garimpo ilegal na região – e as ações nas áreas indígenas invadidas são a demonstração mais eloquente disso – suas pregações na área da economia (como a defesa do fim da autonomia do Banco Central, das privatizações e dos financiamentos do BNDES em obras do exterior, e as críticas ao empresariado, ao teto de gastos, à meta de inflação e à política de austeridade fiscal) têm escancarado um flanco enorme de fragilidades do seu governo.
Ou seja, está aberto um campo para que, “dentro das quatro linhas da Constituição”, como gosta de repetir Bolsonaro quando tenta dizer que é um democrata, surja uma oposição consistente e responsável ao governo Lula. Para isso, é preciso que o bolsonarismo arquive todos os negacionismos com os quais se impregnou nos últimos anos, inclusive as ridículas tentativas de desacreditar as vacinas e até a pandemia da Covid-19. Se o bolsonarismo for, de fato, capaz de fazer essa autodepuração, pode ser que a tal “oposição responsável” tenha alguma chance de fato acontecer.
Talvez seja mais prudente aguardar mais um pouco para ver se os próximos capítulos dessa novela vão acontecer como estão sendo anunciados. Ou se tudo não passará, mais uma vez, de uma decepcionante promessa que se perderá nesse enorme drama de ódios que há muito se transformou a política brasileira.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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