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Saúde

Calor extremo envelhece

Os autores têm a cautela de observar que o estudo mostra uma conexão entre extremo calor e envelhecimento, sem concluir definitivamente uma ação de causa e efeito

Publicado em 13 de Março de 2025 às 02:01

Públicado em 

13 mar 2025 às 02:01
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

Temos atravessado dias de intenso calor. Os jornais a todo o instante descrevem recordes de temperatura em diferentes cidades do país. A frequência, intensidade e duração de eventos de calor extremo devem piorar nos próximos anos. O calor excessivo tem enorme influência deletéria nas condições de saúde.
A ciência já demonstrou que a exposição duradoura a temperaturas muito altas aumenta risco de hospitalização, doenças cardiovasculares e, obviamente, aumenta risco de morte. Esses agravos à saúde causados pelo calor excessivo são mais acentuados nas pessoas idosas, devido ao envelhecimento e consequente mal funcionamento das funções termorregulatórias do corpo humano.
Mas o calor extremo traz mais consequências. Em um estudo publicado em fevereiro desse ano na revista Science Advances pesquisadores da Leonard Davis School of Gerontology em Los Angeles (EUA) estudaram amostras sanguíneas de pessoas com mais de 56 anos de idade, em um total de 3600 adultos. Avaliaram pessoas de diferentes localidades nos Estados Unidos da América, submetidos a diferentes tipos de clima.
Os pesquisadores observaram como eram os relógios epigenéticos dessas pessoas, estudando três diferentes biomarcadores ligados à metilação do DNA. Os relógios epigenéticos tentam predizer os riscos de doenças associadas ao envelhecimento. Eles estimam como nosso corpo está funcionando em nível molecular e celular.
Os autores destacam que sua publicação é o primeiro estudo que tenta avaliar uma conexão entre exposição ao calor e envelhecimento celular em seres humanos. Já existem estudos publicados avaliando consequências do calor nos relógios epigenéticos de peixes, camundongos e em cobaias.
O estudo estima que uma pessoa vivendo em uma área na qual a temperatura supere a média de 90 graus F (equivalente a 32,2 graus C) por 140 dias ou mais tem o envelhecimento acelerado em 14 meses num período de 6 anos, em comparação com pessoas vivendo em uma área com menos de 10 dias de extremo calor no ano.
Os autores têm a cautela de observar que o estudo mostra uma conexão entre extremo calor e envelhecimento, sem concluir definitivamente uma ação de causa e efeito. O currículo dos cursos de Medicina corretamente começa a adicionar o estudo das influências de eventos climáticos extremos na saúde. O bicho homem tem se comportado como um animal irracional que frequentemente zomba de sua interferência nociva no meio ambiente. Os líderes com poder de decisão vivem no conforto de ambientes refrigerados, sofrendo menos as consequências do calor. Precisamos cuidar melhor do nosso planeta. Não há plano B!

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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