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Como as mudanças climáticas estão afetando a nossa saúde

Os maiores riscos são para crianças e idosos, mas curiosamente a mulher é mais vulnerável ao calor que o homem, com risco de morte até duas vezes maior

Publicado em 12 de Setembro de 2024 às 03:00

Públicado em 

12 set 2024 às 03:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

Duas das principais revistas médicas do mundo publicaram extensas revisões sobre o impacto das mudanças climáticas na saúde. A New England Journal of Medicine afirma que o aumento de 1,1º C na temperatura global desde a revolução industrial é resultado da ação humana e tem enormes riscos de piorar se nada for feito.
Os autores da Universidade de Yale e da London School of Hygiene and Tropica Medicine afirmam que, nos EUA, a frequência e duração das ondas de calor pioraram muito nos últimos anos. O número atual das ondas de calor é, pelo menos, duas vezes maior que da década de 80, e a duração delas é três vezes mais longa que a duração das ondas de calor na década de 60.
Os extremos de frio, por outro lado, tem sido mais curtos e menos frequentes. Os pesquisadores documentaram o aumento de ida a emergências médicas e internações hospitalares relacionadas ao calor com aumento de número de mortes.
Também recentemente, em maio a revista Lancet Public Health publicou uma análise da Europa com o significativo titulo: “Mudança climática: aquecimento sem precedentes exige ações sem precedentes”.
O grupo de pesquisadores europeus, de Barcelona e Cambridge principalmente, alertam que o calor excessivo de 2024 está afetando a saúde das pessoas e tirando vidas. Os países mais afetados são do Sul da Europa. Estimam o aumento adicional de 17 mortes por 100 mil habitantes na última década em razão do calor.
Até atividades físicas tão necessárias estão colocando a saúde em risco nas horas muito quentes do dia. Várias cidades tiveram picos de calor com temperatura superior a 45º C. Os maiores riscos são para crianças e idosos, mas curiosamente a mulher é mais vulnerável ao calor que o homem, com risco de morte até duas vezes maior.
O aquecimento das águas do mar em diversas cidades costeiras, além das consequências ambientais, facilita doenças por bactérias do gênero Vibrio; alguns países têm experimentado aumento da população de carrapatos com maiores riscos de doença como Lyme, conforme a região da Europa; surtos de dengue foram relatados na França, Espanha e Itália.
Mulher com calor
Mulher com calor Crédito: Shutterstock
Pessoas idosas são mais vulneráveis ao calor. Pessoas que usam diuréticos e mesmo betabloqueadores ou outras medicações para controle de pressão arterial podem ser mais suscetíveis à desidratação. Recentemente, o New York Times, preocupado em alertar seus leitores sobre medicamentos que os tornam mais vulneráveis às ondas de calor, lembrou que até medicamentos antipsicóticos como olanzapina e risperidona podem interferir na capacidade de suar e tornar o organismo a experimentar maior risco de altas temperaturas no calor extremo. 
Temos experimentado em nosso país eventos climáticos extremos, especialmente enchentes como a do Rio Grande do Sul, as queimadas do Pantanal e a seca na Amazônia antes da hora. A fumaça de incêndios é constante na paisagem de várias cidades brasileiras. O aquecimento e a emissão de gases poluentes por combustíveis fósseis têm que estar na agenda de nossos agentes políticos ou o preço a pagar em vidas humanas vai aumentar muito.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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