Estamos no terceiro ano da pandemia. Apesar dos sustos que as novas variantes estão causando, enfim teremos mais armas, além das vacinas. Diversos anticorpos monoclonais foram desenhados contra Covid. Os primeiros, Casirivimabe/Imdevimabe, da Roche,(usado por Donald Trump, que de bobo não tem nada) e Banlavinimabe/Etesevimabe, da Lilly, foram descartados pelo FDA agora em fins de janeiro, por terem perdido ação contra a variante Ômicron.
Já Regdanvimabe, da Celtrion, Sotrovimab, da GSK, e agora Evusheld, da AstraZeneca, estão sob avaliação neste novo cenário. Em várias cidades americanas, pessoas com Covid e com risco de complicações, atendidas em hospitais, recebem já um coquetel de monoclonais, que usados de modo precoce funcionam para preservar vidas.
Existem dois problemas com os anticorpos monoclonais. Primeiro, seu custo é muito elevado e sua utilização no SUS teria que envolver uma análise séria sobre custo-benefício, que seria mais fácil se o Ministério da Saúde já tivesse superado a sua fase “cloroquina”. Em segundo lugar, como os monoclonais foram desenhados contra proteínas da espícula da variante original, provavelmente deverão ser ajustados contra a Ômicron.
Precisamos urgentemente de antivirais de uso precoce, estes menos afetados pelas variantes. Um grupo de pesquisadores do Texas, nos EUA, usou remdesevir, da Gilead, por três dias de modo mais precoce e conseguiu mais de 80% de prevenção de hospitalização. É mais uma arma. Mas ainda consiste em uma droga injetável e cara.
Ótimas notícias surgiram com uma pílula da Merck, o molnupiravir (Lagevrio). Essa pílula é um análogo sintético da hidroxicitidina, que induz erros durante a replicação viral. No grupo que usou este medicamento houve apenas uma morte contra 9 que ocorreram no grupo placebo. Deve ser usado nos primeiros cinco dias de Covid, e os resultados de prevenção de hospitalização são menores, mas significativos. De qualquer forma, essa medicação deve estar disponível para uso já neste mês de fevereiro, nos EUA.
Definitivamente, o tratamento mais promissor é hoje o da Pfizer, o Paxlovid (Nirmatrelvir), um inibidor da protease associado ao ritonavir, este último conhecido dos médicos que tratam HIV. Sua eficácia, se usado nos primeiros dias, foi de 89%!! No grupo de pacientes de risco que usou o medicamento não houve nenhuma morte. Deve ser usado nos primeiros cinco, idealmente três dias, do início da doença. Enfim, estamos bem próximos de um tratamento precoce de verdade!