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Covid-19

Ômicron: o alfabeto grego pode não dar conta de tantas variantes

A prudência para o ano que começa exige que a população continue se vacinando, com as devidas doses de reforço. A pandemia não acabou

Publicado em 29 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 dez 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

De novo, não!! Foi com desalento que profissionais de saúde, jornalistas e várias pessoas reagiram às notícias do surgimento de uma nova variante do coronavírus, a Ômicron. Até o presidente, com a linguagem chula de boteco de rua de que é useiro e vezeiro, afirmou: “De novo, p*&**! A Anvisa quer fechar o espaço aéreo!”. Aliás, coisa que a agência, que vem desenvolvendo um trabalho sério, não propôs...
A Ômicron era esperada. É significativo que surgisse na África do Sul, país com escassa cobertura vacinal. A quantidade expressiva de mutações da Ômicron levantou a suposição de que ela tenha se desenvolvido em uma pessoa imunossuprimida, por longo tempo virêmica. A cepa teria então evoluído com cerca de 50 mutações, várias na espícula, chave para entrada do vírus nas células e alvo preferencial das vacinas.
Embora as informações ainda sejam escassas, sabemos que a nova variante é muito mais contagiosa, fazendo com que o número de novos casos logo triplicasse nas províncias onde surgiu. Nos EUA, em semanas já se tornou dominante! Felizmente, o crescimento de hospitalizações e mortes não parece ser significativo. Aliás, um trabalho preliminar mostrou que a nova cepa tem 80% menos risco de complicações que a variante Delta.
Ainda é cedo para ter essa certeza e é possível que esse dado reflita impacto da vacinação. As vacinas protegem desencadeando dois tipos de respostas: uma celular, que é menos afetada pelas mutações das variantes, e outra humoral, de anticorpos que foram desenvolvidos originalmente contra a espícula da cepa original de Wuhan de dois anos atrás!
Neste momento, sabemos que mesmo duas doses das vacinas de RNA protegem bem menos de infecção pela Ômicron, mas devem proteger de hospitalizações e mortes. Para mais segurança, a terceira dose de reforço é essencial, segundo relatam as primeiras evidências.
Muitos cientistas especulam que um país como o nosso, que sofreu uma onda violenta com a cepa original em 2020 e, em seguida, uma segunda onda agressiva com a variante gama, com centenas de milhares de mortes, a proteção adicional das vacinas pode criar uma barreira sólida contra mortalidade pela Ômicron, como criou para a variante Delta, que não causou tragédia entre nós.
Enfim, é prudente vacinar e buscar reforço àqueles que não o fizeram ainda. Uso de máscaras e cautela nas reuniões de ano-novo. A pandemia não acabou e talvez o alfabeto grego não dê conta de tantas novas variantes.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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