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Infraestrutura

A visão de Eliezer Batista e o Corredor Centro-Leste

O Corredor muda a economia do Espírito Santo de forma impactante. Penso que Eliezer Batista apoiaria mais essa alternativa logística para o país

Publicado em 07 de Julho de 2024 às 02:00

Públicado em 

07 jul 2024 às 02:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

Em seu célebre livro “Sapiens, Uma Breve História da Humanidade”, o historiador Yuval Harari observa que o que impulsiona as sociedades ao longo do tempo são os homens de negócios. Foi em busca de novas riquezas que os homens construíram os primeiros barcos e saíram da África rumo à Oceania, até chegarmos às grandes navegações do século 15, que marcaram o mercantilismo e a evolução do capitalismo industrial. Já no século 21, nomes como Steve Jobs, Mark Zuckerberg e Bill Gates moldaram a era digital que vivemos hoje.
No Brasil, temos o exemplo de uma grande liderança empresarial, que ajudou a construir o país: trata-se de Eliezer Batista, falecido em junho de 2018, e que completaria 100 anos em maio deste ano. O seu centenário foi celebrado em ampla reportagem patrocinada pela Vale em grandes jornais do país. O título da reportagem, por sinal, é: “Eliezer Batista, o construtor do Brasil”.
O histórico de sua atuação deveria inspirar hoje a própria Vale a pensar em novos corredores logísticos, contemplando o Espírito Santo e o Brasil, como veremos adiante.
Nascido em Nova Era, Minas Gerais, Eliezer tinha forte vínculo com o nosso Estado, e não somente por causa da Vale. Ele foi um dos desbravadores da região de Pedra Azul, por exemplo, onde tinha casa, e estimulou amigos a comprar terrenos lá, nos anos 80, quando a região não tinha a infraestrutura atual, tornando-se hoje um dos principais destinos turísticos do ES.
Eliezer teve influência direta em grandes projetos como o Porto de Tubarão, Carajás, o agronegócio do Centro-Oeste, a indústria de celulose nacional, o gasoduto Brasil-Bolívia e o Porto de Sepetiba, no Rio de Janeiro. Tudo isso contou com a sua atuação. Era naturalmente um visionário e um trabalhador incansável.
“Uma boa forma de ir além do possível é marchar na direção do impossível”, dizia Eliezer Batista, que foi o primeiro empregado de carreira da Vale a se tornar presidente da empresa. Ele transformou o que era uma pequena produtora de minério de ferro, ainda estatal, em um dos maiores players globais do setor.
Eliezer Batista
Eliezer Batista teve influência direta em grandes projetos como o Porto de Tubarão, Carajás, o agronegócio do Centro-Oeste, a indústria de celulose nacional, o gasoduto Brasil-Bolívia e o Porto de Sepetiba, no Rio de Janeiro Crédito: Flickr/FGV
Pois bem, já há algumas décadas o mundo empresarial preocupa-se e age para gerar prosperidade e qualidade de vida, além muros das próprias empresas. Responsabilidade social ampliada, busca do equilíbrio na região de influência do empreendimento, compreensão dos desafios coletivos e dos caminhos para influir na região de atuação, sem comprometer o resultado das empresas, tem sido um mantra nas companhias lideradas por visionários como foi Eliezer. E via de regra, companhias assim prosperam e geram valor aos acionistas acima da média do mercado.
São raras as empresas que têm a oportunidade e capacidade de impactar de forma profunda e definitiva o desenvolvimento de uma região, de uma sociedade. Uma dessas empresas é a Vale.
Refiro-me à real possibilidade de, mais uma vez, “re-inventar” o desenvolvimento do Espírito Santo, Minas e Goiás de forma mais direta, impactando o Brasil, através da concretização da ligação ferroviária do Corredor Centro-Leste.
Por anos esse projeto esteve em discussão, e muitas das vezes o argumento era que não adiantava investir no “gargalo” Serra do Tigre, dado que os portos capixabas não teriam como escoar o volume do agronegócio e da produção industrial dessa região. De três anos para cá, esta fotografia mudou radicalmente. A antiga Codesa foi concedida à iniciativa privada, tornou-se a Vports e tem feito investimentos relevantes para aumentar sua capacidade de movimentação.
A Vports também está presente na região de Barra do Riacho, que é praticamente um porto semipronto, aguardando a conexão ferroviária para deslanchar. Outro ator ativo, em Aracruz, é a Imetame, que está com obras super avançadas, e até final de 2025 fará o primeiro embarque no seu complexo portuário que está em estágio avançado, cabendo grifar que terá o maior calado do Brasil, para receber os supercargueiros atuais e a nova geração de supercargueiros em fabricação; será um “porto verde”; tem retroárea em volume adequado e na região também foi concedida a primeira ZPE privada do país. Por fim, temos Portocel, complexo já operacional, que recentemente começou a receber automóveis como mais uma tipologia de cargas que movimenta, ou seja, portos, temos!
trecho ferroviário que precisa ser construído, cerca de 400 km, a chamada variante da Serra do Tigre, viabilizaria um trecho total de 1.500 km de trilhos (FCA e EFVM), ou seja, estamos falando de obras em menos de 30% do corredor. O CAPEX de todo o restante já está instalado, o CAPEX dos portos já está alocado, ou seja, não fazer isso é também um enorme desperdício de investimentos já realizados em um país que sofre tanto com a ausência de infra.
Esse trecho ferroviário está hoje sob a gestão da VLI, companhia que tem a Vale como uma das principais acionistas, e neste momento está sendo justamente debatida a renovação antecipada dessa concessão, na qual teremos uma outorga a ser paga e novos compromissos de investimento para operar a ferrovia por mais 30 anos.
O Corredor Centro-Leste muda a economia do Espírito Santo de forma impactante, Estado que tem uma história de cooperação e aliança para o bem-estar e desenvolvimento amplo e sustentável de toda população, com esta importante companhia: a Vale.
Esse projeto também tem enorme relevância para o país, que hoje continua assistindo filas, congestionamentos, custos altos nos portos de Santos, Paranaguá e São Luiz, para escoar a grande riqueza que é nossa produção agrícola e industrial. Também vimos durante a pandemia a importância de termos alternativas de rotas logísticas como esta proposta.
Como Eliezer costumava chamar as grandes realizações, isso realmente significa construir uma nova “catedral”.
Para tanto, precisamos que a Vale “compre” o projeto, e busque advogar pela utilização dos recursos da renovação antecipada da concessão da FCA – Ferrovia Centro-Atlântica, para investir no contorno ferroviário da Serra do Tigre, em Minas Gerais.
A Vale e Eliezer Batista certamente já fizeram muito pelo desenvolvimento do país e do Espírito Santo. O Brasil precisa de lideranças empresariais visionárias como Eliezer e de empresas como a Vale, capazes de extrapolar os muros de sua atuação para promover grandes transformações na sociedade. A Vale tem nas mãos essa oportunidade, o que a tornará ainda mais admirada pela sociedade. Espero que possa aproveitá-la. Penso que Eliezer Batista apoiaria mais essa alternativa logística para o país.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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