A força-tarefa foi acionada, em vão, para que fosse possível a bola rolar com um mínimo de qualidade no jogo entre o Real Noroeste e o Cuiabá pela Copa do Brasil, na quarta (21) à noite, que acabou sendo remarcado para o dia seguinte.
A imagem bizarra, que viralizou, mostrou de forma muito clara, para todo o país, as limitações estruturais e técnicas do futebol profissional no Espírito Santo, que começou 2024 como acabou o ano passado: se afogando em vexames.
Federação de Futebol (FES) e clubes conseguiram enxergar méritos nessa colocação e chegaram a publicar “notas de repúdio”, na véspera do Natal, contra quem entendia o contrário e apontava o mau desempenho do futebol profissional praticado em terras capixabas.
Mas veio um novo ano, novas esperanças, novas metas. Entretanto a realidade se impôs e não deu bola para o ufanismo de alguns dirigentes. Entrou água mais uma vez no nosso futebol.
Passada a tormenta, houve quem dissesse que esse mau desempenho seria superado e o sol haveria de brilhar outra vez, agora na Copa do Brasil, a megacompetição do futebol brasileiro que dá oportunidade de visibilidade a times menos conhecidos do torcedor, incluindo equipes dos grotões brasileiros.
Mas assim como o céu, fevereiro foi cinzento para o futebol capixaba. Novamente os dois representantes do Espírito Santo naufragaram e foram eliminados logo na primeira rodada da competição, perdendo uma grande chance de ter mais protagonismo no cenário esportivo nacional e faturar prêmios milionários pagos pela CBF às equipes que se classificam para as fases posteriores da Copa do Brasil.
Na terça-feira (20), o Nova Venécia perdeu no maltratado e precaríssimo José Olímpio da Rocha, o “Rochão”, por 2 a 1 para o Botafogo de Ribeirão Preto, time tradicional do interior paulista. Abatido o primeiro soldado, as atenções se voltaram então para o Nova Venécia, que recebeu o Cuiabá no mesmo estádio.
O jogo seria realizado inicialmente na quarta (21), mas as péssimas condições do gramado, todo encharcado pela chuva que castigou Águia Branca, impediram o confronto, embora alguns abnegados tenham se esforçado muito - não com a bola, mas com rodos, tentado inutilmente afastar a água acumulada.
No dia seguinte, quinta (22), apesar de ainda persistirem as péssimas condições do gramado do “Rochão”, o jogo foi realizado, e o time visitante nadou de braçada e
goleou o Nova Venécia por impiedosos 4 a 1, resultado que eliminou a equipe capixaba da competição nacional.
Esses resultados certamente não ajudarão os times do ES no ranking nacional da CBF de 2024 que será divulgado no final do ano.
E fica uma lição: não adianta brigar com os números - eles são frios e invencíveis. E nem chorar a água derramada, é preciso mudar. Não dá para passar pano em um futebol assim. Talvez um rodo (bem mais potente que o usado no “Rochão”) seja mais eficaz.