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Leonel Ximenes

2024 começa com o futebol capixaba dando vexame. Outra vez

Times do ES foram eliminados na primeira fase da Copinha e na primeira rodada da Copa do Brasil, duas megacompetições nacionais

Publicado em 23 de Fevereiro de 2024 às 11:34

Públicado em 

23 fev 2024 às 11:34
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Gramado do José Olímpio da Rocha ficou alagado e partida entre Real Noroeste e Cuiabá, válida pela Copa do Brasil, teve que ser adiada
O gramado do Estádio José Olímpio da Rocha, em Águia Branca, ficou alagado, provocando o adiamento do jogo entre Real Noroeste e Cuiabá, pela Copa do Brasil Crédito: SporTV/Reprodução
A cena em que gandulas e jogadores da base do Real Noroeste, de rodos à mão, tentam freneticamente drenar o castigado gramado do Estádio José Olímpio da Rocha, em Águia Branca,  diz muito sobre a situação atual do futebol capixaba, encharcado por um sentimento de vergonha.
A força-tarefa foi acionada, em vão, para que fosse possível a bola rolar com um mínimo de qualidade no jogo entre o Real Noroeste e o Cuiabá pela Copa do Brasil, na quarta (21) à noite, que acabou sendo remarcado para o dia seguinte.
A imagem bizarra, que viralizou, mostrou de forma muito clara, para todo o país, as limitações estruturais e técnicas do futebol profissional no Espírito Santo, que começou 2024 como acabou o ano passado: se afogando em vexames.
Aos fatos, aos números: em 2023, pelo ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o time mais bem colocado do Estado foi o Real Noroeste, que ocupou um constrangedor 84º lugar.
Federação de Futebol (FES) e clubes conseguiram enxergar méritos nessa colocação e chegaram a publicar “notas de repúdio”, na véspera do Natal, contra quem entendia o contrário e apontava o mau desempenho do futebol profissional praticado em terras capixabas.
Mas veio um novo ano, novas esperanças, novas metas. Entretanto a realidade se impôs e não deu bola para o ufanismo de alguns dirigentes. Entrou água mais uma vez no nosso futebol.
A tempestade chegou logo no início do ano com a Copinha, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, o torneio nacional de futebol disputado por jovens jogadores. Os dois representantes do futebol capixaba - o Porto Vitória e o Nova Venécia - foram eliminados logo na primeira fase da competição.
E de forma vexatória, para não perder o costume. Cada um dos times sofreu duas goleadas impiedosas - o Nova Venécia chegou a levar 7 a 0 do Santos.

NOVA COMPETIÇÃO, NOVAS ESPERANÇAS?

Passada a tormenta, houve quem dissesse que esse mau desempenho seria superado e o sol haveria de brilhar outra vez, agora na Copa do Brasil, a megacompetição do futebol brasileiro que dá oportunidade de visibilidade a times menos conhecidos do torcedor, incluindo equipes dos grotões brasileiros.
Mas assim como o céu, fevereiro foi cinzento para o futebol capixaba. Novamente os dois representantes do Espírito Santo naufragaram e foram eliminados logo na primeira rodada da competição, perdendo uma grande chance de ter mais protagonismo no cenário esportivo nacional e faturar prêmios milionários pagos pela CBF às equipes que se classificam para as fases posteriores da Copa do Brasil.
Na terça-feira (20), o Nova Venécia perdeu no maltratado e precaríssimo José Olímpio da Rocha, o “Rochão”, por 2 a 1 para o Botafogo de Ribeirão Preto, time tradicional do interior paulista. Abatido o primeiro soldado, as atenções se voltaram então para o Nova Venécia, que recebeu o Cuiabá no mesmo estádio.
Gramado do Rochão estava muito molhado por conta da chuva
Gramado do Rochão no jogo em que o Cuiabá (camisa amarela) goleou e eliminou o Nova Venécia da Copa do Brasil Crédito: Ascom Dourado
O jogo seria realizado inicialmente na quarta (21), mas as péssimas condições do gramado, todo encharcado pela chuva que castigou Águia Branca, impediram o confronto, embora alguns abnegados tenham se esforçado muito - não com a bola, mas com rodos, tentado inutilmente afastar a água acumulada.
No dia seguinte, quinta (22), apesar de ainda persistirem as péssimas condições do gramado do “Rochão”, o jogo foi realizado, e o time visitante nadou de braçada e goleou o Nova Venécia por impiedosos 4 a 1, resultado que eliminou a equipe capixaba da competição nacional.
Esses resultados certamente não ajudarão os times do ES no ranking nacional da CBF de 2024 que será divulgado no final do ano.
E fica uma lição: não adianta brigar com os números - eles são frios e invencíveis. E nem chorar a água derramada, é preciso mudar. Não dá para passar pano em um futebol assim. Talvez um rodo (bem mais potente que o usado no “Rochão”) seja mais eficaz.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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