O foco era a economia brasileira, mas foi quase no final da sua
palestra, diretamente de Nova York (EUA), que o economista e ex-presidente do Banco Central causou mais furor no primeiro dia do Vitória Summit 2021, nesta quarta (24), ao dar um “palpite político”: ele afirmou que o nome ideal para concorrer à Presidência da República no ano que vem é o do ex-governador Paulo Hartung.
"Realmente tenho enorme convicção de que não existe pessoa mais qualificada neste país, para ser o nosso presidente, do que Paulo Hartung. Isso pra mim é quase uma obviedade. E eu torço muito para que isso aconteça”, afirmou Armínio. “Não tenho dúvida que seria um sacrifício pessoal para ele, mas é algo que pode acontecer”, acrescentou o ex-presidente do BC no encontro de lideranças da Rede Gazeta no Hotel Ilha do Boi.
PH, que participava de forma presencial do painel com Armínio Fraga, desconversou ao ser perguntado pelo jornalista Mário Bonella, que fazia a mediação do debate, se será mesmo candidato a presidente: “Meu ciclo político já está muito bem resolvido, mas não consigo convencer o Armínio disso”, brincou PH. “Posso continuar ajudando a vida pública”, emendou.
A propósito, o ex-presidente do BC e Hartung são amigos de longa data e estão em contato permanente. Armínio, a propósito, não esconde de ninguém que torce por um candidato da chamada “terceira via”.
Armínio previu que o ano de 2022 vai continuar sendo muito difícil para a economia brasileira, com muita volatilidade e mercado nervoso flutuando com as pesquisas de opinião, mas avalia que em 2023 a situação pode melhorar. Entretanto fez uma ressalva: “Um bom governo pode dar uma virada se o país cair em boas mãos”.
O economista carioca destacou também o que chamou de “descaso histórico” com a Educação no Brasil. “Houve progressos, mas a mudança é lenta. Vai levar muitos anos para a Educação melhorar.”
A jornalista Eliane Cantanhêde, por sua vez,
que abriu o primeiro dia de debates no Vitória Summit fazendo análise da conjuntura política, criticou veementemente o governo de Jair Bolsonaro, mas alertou: o presidente da República ainda tem o apoio de cerca de 30% da população, tem apoio na Câmara dos Deputados, de Tribunais e de parte da mídia, e, por isso, tem base para disputar a reeleição.
Sobre esse apoio de parte da população a Bolsonaro, apesar de tantos problemas que ela enxerga no governo dele, a jornalista da GloboNews radicada em Brasília ironizou: “É preciso um estudo psicológico”.
A comentarista, que participou do painel junto com Letícia Gonçalves, colunista de Política de A Gazeta, fez uma breve análise dos principais candidatos que se apresentaram para enfrentar Bolsonaro nas eleições do ano que vem.
Sobre Lula, Cantanhêde destacou que o petista é o favorito, como apontam as pesquisas, mas previu que o ex-presidente da República terá que sair do que chama de “zona de conforto” na campanha: “E o mensalão?” E o “Petrolão?” E a “Odebrecht?”, enumerou a jornalista sobre as prováveis cobranças que Lula vai enfrentar na corrida eleitoral.
Em relação a Sérgio Moro (Podemos), ela afirmou que o discurso anticorrupção do ex-juiz encontra eco na sociedade brasileira e que ele acertou em indicar Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, como seu interlocutor na área econômica. “Moro, assim, quer mostrar que a preocupação do seu governo não será só a corrupção”, analisou.
Ao analisar a pré-candidatura de Ciro Gomes, Eliane Cantanhêde diz que o pedetista vai se desidratando porque “deixou de ser o novo, perdeu o encanto”.
E sobre o tumultuado e dividido PSDB? “É um fiasco total, não consegue nem fazer prévias”, sentenciou.