Bianca Biancardi (PMB), candidata transexual a prefeita de Cariacica, anunciou que fará hoje (16) uma representação no Ministério Público Eleitoral contra o
Fórum Evangélico do Espírito Santo. A candidata reclama que sofreu discriminação por não ter sido convidada para o “Fórum Presencial Com os Candidatos a Prefeito de Cariacica”, realizado na manhã de ontem (15), no bairro Rio Branco.
Dos 14 candidatos a prefeito, outro que não compareceu, embora tenha sido convidado, foi Joel da Costa (PSL). Segundo a coluna apurou com um dos presentes ao ato, o nome de Bianca não foi mencionado durante o fórum.
“O Fórum Evangélico tem claro conhecimento de minha candidatura a prefeita, divulgada pela imprensa e por nossas atividades de rua e propaganda em redes sociais. Não pairam dúvidas de que fui vítima do crime de discriminação por essa lideranças evangélicas pelo fato de ser uma mulher transgênero na disputa”, reclama Bianca.
A assessoria da candidata informou que, além da representação no Ministério Público Eleitoral, ela também vai denunciar a suposta discriminação de que foi vítima à
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves.
“A minha indignação com essas atitudes discriminatórias foi compartilhada por dezenas de amigos e eleitores, que também se sentiram atingidos por essa atitude atrasada e sem cabimento em uma sociedade plural e democrática”, afirma Bianca.
A empresária, dona de um salão de beleza em Campo Grande, aponta que, no entender dela, não houve apenas discriminação dos pastores: “Diante dos fatos, solicito ao Ministério Público Eleitoral que instaure o procedimento adequado para apurar crimes de discriminação racial e gênero, crime eleitoral, entre outros crimes que possam ter ocorridos durante o evento organizado pelo Fórum Evangélico”.
A coluna procurou na noite de quinta (15) um dos organizadores do evento. Após sustentar que não houve discriminação e que, na realidade, a candidata do PMB não respondeu ao convite do fórum, enviado pelo WhatsApp no dia 2 de outubro, ele disse que não estava autorizado a falar em nome dos pastores, pediu para seu nome não ser divulgado e afirmou que iria indicar um dos líderes religiosos para falar com a coluna, o que não aconteceu até o fechamento desta matéria. Este espaço, entretanto, continua aberto ao Fórum Evangélico e será atualizado assim que um dos seus responsáveis se manifeste.
Procurada pela coluna, a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) divulgou uma nota em que afirma não fazer distinção de gênero ou raça na escolha de candidatos aos cargos eletivos e que existem instâncias para quem queira reclamar seus direitos eleitorais.
Eis a nota: “A Justiça Eleitoral não faz qualquer distinção de gênero ou raça na escolha de candidatos aos cargos eletivos. Inclusive, tem garantido a paridade de condições para a disputa, a exemplo da possibilidade de uso do nome social desejado pelo candidato na urna eletrônica e cadastro eleitoral (Resolução TSE nº 23.609/2019). Casos concretos devem ser formalizados através da via adequada, para que eventualmente sejam apreciados no âmbito jurisdicional. Destaque-se que o Ministério Público Eleitoral tem atuação importante para manutenção de direitos e garantias fundamentais, podendo eventuais prejudicados formalizar seu descontentamento”.