A apuração dos votos na eleição americana é tão complicada que só mesmo rindo um pouco para aliviar a tensão. É o que faz com muita competência e brilho o chargista Amarildo, de A Gazeta, que com seu talento está divertindo americanos e brasileiros que moram nos EUA.
Morador da Flórida, o americano-brasileiro Jason Javens, um bancário e comentarista amador de vinho de 45 anos de idade, resolveu traduzir as três últimas charges de Amarildo, todas com foco no chorão presidente Trump, e as publicou em suas redes sociais. O sucesso, claro foi imediato.
“Os americanos estão adorando, mas os brasileiros, principalmente os adeptos do presidente Jair Bolsonaro, não estão curtindo muito”, diverte-se Javens.
Publicado na quarta-feira (4), o primeiro desenho mostra o presidente, numa entrevista coletiva, dizendo que se ele ganhar, a eleição foi honesta, mas se perder, foi roubada. Bem representativa dos valores morais do trumpismo que está sendo derrotado pelo democrata Biden.
Essa charge teve sequência nesta sexta-feira (6), no mesmo ringue, com o republicano, nas mesmas condições de derrota, pedindo ao juiz para parar imediatamente a tradicional contagem para o fim do confronto. O oponente democrata, que aguarda o desfecho do dramalhão republicano, só observa.
Amarildo se diz muito feliz com o compartilhamento dos seus desenhos nas redes sociais dos americanos. “Me sinto lisonjeado, isso mostra a força das redes sociais e que, em certo sentido, não sou mais dono do meu trabalho. A charge tem vida própria e muitas vezes viram até memes”, comemora.
Com 33 anos de trabalho no jornal, Amarildo afirma que, no jornal impresso, sentia a falta do calor, da resposta imediata do leitor ao seu trabalho, mas isso tudo mudou com o jornalismo digital. “Agora é tudo mais real, as vaias e os aplausos são imediatos. É como se eu tivesse num palco fazendo meu trabalho à vista de todos”, compara.
O desenhista conta que tem gente que estranha ele fazer uma charge internacional nas páginas de um jornal local, mas Amarildo explica que desde o governo de Bush pai faz desenhos com temática externa, principalmente sobre a eleição nos EUA.
Falando sobre a eleição naquele país, Amarildo diz que se espanta (e o mundo também) com o processo eleitoral bizarro e a
apuração tão arcaica nos EUA. “O país que tem Apple e Microsoft é o mesmo que tem um processo eleitoral medieval”, critica. Mas em seguida reconhece: “A eleição americana é tão importante que todos os países deveriam votar”.