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Leonel Ximenes

Conheça os bastidores: o dia em que Cid Moreira aceitou ajudar o ES

Apresentador, que morreu nesta quinta-feira aos 97 anos, deu sua contribuição a um dos momentos mais emblemáticos da história da cultura capixaba

Publicado em 04 de Outubro de 2024 às 09:05

Públicado em 

04 out 2024 às 09:05
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Cid Moreira morreu aos 97 anos de idade
Cid Moreira morreu aos 97 anos de idade Crédito: Divulgação
O ex-apresentador do Jornal Nacional Cid Moreira, que morreu nesta quinta-feira (3), aos 97 anos, deixou sua marca em um dos momentos mais emblemáticos da cultura do Espírito Santo. Ele foi o narrador da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, exibida ao ar livre em São Mateus e em Vitória, em 2001.
Como o locutor mais famoso do Brasil aceitou emprestar sua voz a este momento que ficou na história da cultura do ES? O escritor Maciel de Aguiar, que na época era o secretário estadual de Cultura do governador José Ignácio Ferreira, conta sua versão para este episódio.
Maciel afirma que conseguiu que Moreira gravasse a ópera, em um estúdio do Rio de Janeiro, por intermédio de Roberto Marinho, o dono da Rede Globo.
“Certa feita, fui à sede da TV Globo, no Rio de Janeiro, mas, impedido de entrar, mesmo tendo trabalhado na emissora na década de 1970, fiquei sentado no meio-fio da rua em frente à portaria da empresa”, descreve Maciel.
Cartaz da ópera O Guarani exibida em São Mateus
Cartaz da ópera O Guarani exibida em São Mateus Crédito: Reprodução
Mas um lance de sorte mudou o rumo dessa história e Maciel acabou conseguindo falar com o chefão da Globo, na então sede da empresa no bairro do Jardim Botânico. “Um carro parou e um dos seus ocupantes abriu o vidro blindado para receber o jornal O Globo, quando vi o poderoso Roberto Marinho no banco traseiro. Gritei que estava realizando a ópera O Guarani, no Porto de São Mateus, ‘com índios de verdade’”.
Inicialmente, ninguém deu bola para aquele homem “impertinente”. Em seguida, o motorista fechou o vidro do carro que se dirigia ao interior da TV Globo, mas, de forma inesperada, logo voltou à portaria para convidar a entrar aquela pessoa que havia gritado com o doutor Roberto Marinho, lembra Maciel.
“Acreditando que havia feito uma ofensa, relutei em ir, mas fui conduzido à sala do quinto andar onde Roberto Marinho me perguntou sobre a ópera O Guarani ‘com índios de verdade’”, diz. O secretário de Cultura explicou como seria a montagem no ES.
Cartaz da ópera que foi montada na Praça do Papa em 2001
Cartaz da ópera que foi montada na Praça do Papa em 2001 Crédito: Reprodução
Surpreso com a confirmação - prossegue o jornalista -, Roberto Marinho confidenciou que, na juventude, queria ser barítono e, aos 15 anos, pediu de presente de aniversário ao pai para ir à Itália assistir à ópera O Guarani, no Teatro Scala de Milão.
Em seguida, Marinho perguntou ao capixaba “no que poderia ser útil”, recebendo uma pronta resposta do audacioso Maciel: “Mídia gratuita na TV Globo e Cid Moreira como narrador”, enumerou.
Maciel diz que Roberto Marinho ficou surpreso com a audácia do secretário da cultura capixaba, mas chamou um diretor da TV Globo e autorizou as mídias da ópera de 30 segundos na programação da emissora.
Depois, o empresário acionou Cid Moreira e perguntou se ele “queria ganhar um presente”. Com a resposta positiva, Roberto Marinho lhe disse que ele seria o narrador da ópera O Guarani, em São Mateus, no “desprestigiado Estado do Espírito Santo”, e enfatizou o “desprestigiado”.

ÓPERA EM SÃO MATEUS E VITÓRIA

“O Guarani” atraiu milhares de pessoas em suas duas montagens no Espírito Santo. A primeira no Porto Histórico de São Mateus, no dia 7 de abril de 2001, e a outra na Praça do Papa, em Vitória, no feriado de 23 de maio do mesmo ano.
A direção geral da montagem, de cerca de uma hora e meia, em versão mais compacta que a original, foi de Amarilis de Rebuá com regência do maestro Modesto Flávio.
De acordo com Maciel de Aguiar, o governo do Estado só pagou as horas de gravação do estúdio no Rio de Janeiro. Cid Moreira não cobrou cachê pela narração.
“Hoje, quando Cid Moreira beija a face da eternidade, só tenho a dizer ‘obrigado e descanse em paz’”, finaliza Maciel.

Correção

04/10/2024 - 9:06
Na primeira versão deste texto foi informado, erroneamente, que o governador do ES em 2001 era Vitor Buaiz; o correto é José Ignácio Ferreira. A informação foi corrigida.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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