Maior cooperativa de
café conilon do Brasil, a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel) não para de crescer e agora se une à Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac) para atuar também na cadeia produtiva da pipericultura, a cultura da pimenta-do-reino.
Segundo fontes do setor, a parceria irá consolidar estratégias das duas cooperativas, visando ao fortalecimento dos produtores de pimenta-do-reino no Estado. A Cooabriel, com a incorporação, vai assumir a unidade da Coopbac no Km 41 (Nestor Gomes,
São Mateus), toda a estrutura de beneficiamento da pimenta-do-reino, funcionários e a carteira de clientes da cooperativa mateense. A Coopbac tem cerca de 350 cooperados, que se unirão aos cerca de 8 mil cooperados da Cooabriel.
Essa mesma fonte diz que a Coopbac tem uma cultura exportadora de pimenta, cresceu muito no mercado, mas esse crescimento exige uma necessidade de capital para a continuidade da sua expansão.
Para alavancar esse crescimento, a Cooabriel, por ser uma cooperativa muito robusta financeiramente, entrou no negócio que movimenta o mercado de pimenta-do-reino no Espírito Santo. A perspectiva, com a fusão, é de incremento também do mercado internacional do produto, principalmente na Europa e nos Estados Unidos.
Os números da fusão das duas cooperativas ainda serão contabilizados com a contratação de uma “due intelligence”, processo de análise e investigação prévia de informações sobre uma empresa, incluindo dados contábeis, tributários e fiscais, que serão incorporados à contabilidade da Cooabriel.
“Haverá ganho na eficiência administrativa, financeira e de gestão de pessoas, participação em agendas conjuntas, ampliação do atendimento ao cooperado e ampliação de portfólio oferecido e melhoria no atendimento técnico em campo, entre outros benefícios que serão gerados pela fusão das cooperativas”, destaca Tomás Silveira, presidente da Coopbac.
“O sistema OCB-ES tem incentivado essa sinergia, esses movimentos de fusão/união de cooperativas, visando otimização das receitas, redução das despesas e maior alavancagem. Esses movimentos são positivos para os cooperados”, comemora Carlos André Oliveira, o Carlão, diretor executivo do sistema OCB-ES.
“Para o cooperativismo crescer e se consolidar no Espírito Santo, esse caminho é o correto”, acrescenta Carlão, que participa do
Pedra Azul Summit 2024, encontro de líderes promovido pela Rede Gazeta.
O Espírito Santo lidera a safra nacional de pimenta-do-reino, sendo responsável por 60% da produção brasileira. Segundo a Emater, em 2023, o Estado fechou o ano com produção estimada em 78.178 toneladas, um crescimento de 2,14% em relação ao ano anterior.
Mais da metade da pimenta-do-reino brasileira é de origem capixaba. O Estado ainda tem uma vantagem considerável de 34,4 mil toneladas, à frente do Estado do Pará, que é o segundo maior produtor. A produtividade capixaba chega a 3,9 toneladas por hectare, superior à média nacional, que é de 3,1 toneladas por hectare.
A pimenta-do-reino é um produto tradicional da região Norte do Estado e, atualmente, está presente em 45 municípios capixabas. São Mateus concentra 35% da produção estadual, seguido por Jaguaré (12%), Vila Valério (9,8%), Rio Bananal (8%) e Nova Venécia (5,6%). Outros 40 municípios produzem em menor escala.