Há vagas, muitas vagas. Um dos mais tradicionais restaurantes de
Vitória, a Cantina Fiorentina do Mário, com 63 anos de existência e há 30 anos instalada na Praia do Canto, está enfrentando um problema muito comum ao comércio brasileiro atualmente: a dificuldade de contratar mão de obra.
No horário do almoço desta terça-feira (11), a direção do estabelecimento chegou a afixar um cartaz na porta do restaurante, localizado no coração da
Praia do Canto, pedindo desculpas aos clientes por eventuais transtornos no serviço. A cantina atribui o problema à escassez de funcionários permanentes e temporários
A coluna apurou que dos 13 a 16 funcionários que habitualmente tocam a operação da Cantina Fiorentina, apenas sete estavam trabalhando nesta terça na hora do almoço. Resultado: fila para entrar no restaurante, transtorno que os proprietários, diligentemente, sempre tiveram o cuidado para que não acontecesse.
O cartaz afixado na entrada da cantina informa também que a direção da casa está empenhada em contratar novos profissionais para restabelecer a qualidade do atendimento ao público o mais rapidamente possível.
Fundada pelos italianos Mario (este já falecido) e Antonietta Cangini, a Cantina Fiorentina atualmente é administrada pelas filhas do casal. Dona Antonietta, a matriarca da família, até hoje ajuda na cozinha com suas saborosas receitas italianas.
O problema de falta de mão de obra enfrentado pela cantina não é um caso isolado. Rodrigo Vervloet, presidente do Sindbares, o Sindicato dos Restaurantes Bares e Similares do ES, estima que o setor amarga atualmente um déficit em torno de 2 mil vagas no Estado. “A situação é calamitosa, e não apenas no nosso setor, isso é um problema de todo o setor produtivo, inclusive do Brasil”, lamenta. “No setor de bares e restaurantes, por ser um setor que emprega muita mão de obra, isso fica mais acintoso.”
Para Vervloet, o trabalho no país precisa ser rediscutido: “Hoje é muito difícil as pessoas quererem formalizar o contrato de trabalho, o que acaba dificultando a contratação de mão de obra. A relação de trabalho hoje no Brasil precisa ser repensada porque nenhuma das duas partes está satisfeita. Ruim para quem emprega e ruim para quem é empregado. Há uma informalização muito grande do trabalho, e isso afeta o mercado de trabalho".
Escassez de mão de obra, por sinal, não é problema enfrentado apenas por bares e restaurantes de todo o país. O setor de supermercados no Espírito Santo, por exemplo, tem mais de 5 mil vagas não ocupadas. Os dados são da Acaps e da Fecomércio-ES.
No mês passado, o Grupo Carone estimava em 600 o número de postos não ocupados; no Grupo Coutinho, as vagas abertas e não preenchidas estavam em torno de 400.