Iúna, o pacato município da região do Caparaó, com 29.161 habitantes, está diante de um crescimento fora do comum dos casos de
Covid-19. Se no dia 1º de junho havia 21 ocorrências da doença, um mês depois, em 1º de julho, o município já contava com 250 pessoas infectadas, um aumento espantoso de 1.190%. Até agora, são 11 óbitos.
Assim, em um período de 30 dias, o número de infectados foi multiplicado por 12, aproximadamente. Mas o que será que levou ao aumento exponencial do surto? Falta de dever de casa da população? Descaso do poder público?
A secretária de Saúde de Iúna, Vanessa Leocádio Adami, tem algumas explicações: “O município tem tomado todas as medidas necessárias baseado nos
decretos e portarias do Estado a fim de conter o ciclo do vírus, porém a falta de conscientização de algumas pessoas quanto ao uso de máscaras, o distanciamento e descumprimento do isolamento social estão fazendo com que os números aumentem, de forma que a crescente contaminação está ocorrendo entre os familiares”, lamenta.
Por outro lado, Vanessa diz que os dados da doença agora estão mais precisos: “O município passou por duas etapas do
inquérito sorológico, o que causou um aumento significativo dos casos”.
Mas ela teme que os casos de coronavírus continuem a crescer na cidade se os hábitos não forem mudados durante a pandemia: “Enquanto as pessoas continuarem se expondo ao vírus desnecessariamente, teremos um aumento expressivo do número de casos, e consequentemente, mais internações e até óbitos”, alerta.
À coluna, o prefeito Weliton Virgilio Pereira (PV) reforça as palavras da secretária de Saúde e lamenta que nem todos estão se precavendo da doença em sua cidade: “Falta consciência em algumas pessoas quanto ao uso da
máscara e o não cumprimento do distanciamento social, o que acaba causando o aumento dos casos de contaminação, principalmente entre os próprios familiares”.
Por fim, ele admite que a situação pode se agravar se parte da população iunense não mudar sua rotina durante a pandemia. “Enquanto as pessoas continuarem se expondo ao vírus, de uma forma desnecessária, nós vamos ter esse aumento expressivo no número de casos e, consequentemente, mais internações e óbitos.”
Uma moradora, que pede para não ser identificada, aponta outros motivos para o crescimento da Covid em Iúna: “O
comércio fica aberto todos os dias, lotado. Pessoas não usam máscaras. Há também muitas festas, churrascos em casa. Além disso, tem muita gente frequentando as cachoeiras”.