Das salas de aula da Ufes para as ruas,
do movimento estudantil para o altar. Se fosse possível fazer o resumo de uma vida em poucas palavras, essa é a trajetória de Vitor Noronha, economista formado pela Ufes que no dia 31 de julho será ordenado sacerdote da Arquidiocese de Vitória. A trincheira muda, mas a luta é a mesma, conforme destaca.
"Já estive em várias trincheiras, várias lutas, várias pastorais, vários movimentos e agora estou, ainda, em outro estado de vida, o de ministro ordenado. Agora como diácono, em breve como padre. Mas a causa sempre foi a mesma, tão antiga e tão nova, o Reino de Deus e sua Justiça", afirma.
Nascido há 33 anos em Juiz de Fora (MG), desde criança Vitor tem participação ativa nas atividades da Igreja Católica, inclusive no Espírito Santo, para onde se mudou com a família aos 13 anos de idade. Fruto do ambiente profundamente religioso em que foi criado, sua vocação sacerdotal foi despertada a partir dos 23 anos. Aos 24, resolveu ingressar no Seminário Nossa Senhora da Penha, da Arquidiocese de Vitória, após se formar em Economia pela Ufes.
A vida universitária, por sinal, despertou em Vitor a necessidade de engajamento nas lutas sociais. Participou ativamente do movimento estudantil, foi para as ruas reivindicar direitos e protestar contra todas as formas de opressão.
Ele conta que, durante a faculdade, foi convidado pelo então arcebispo dom Luiz Mancilha Vilela e pelo
padre e amigo Kelder Brandão a participar da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória. Na CJP, teve a oportunidade de conhecer melhor a dimensão social e política do trabalho da Igreja e viveu uma experiência que o marcou muito - o trabalho pastoral em presídios.
“Eu trabalhei muitos anos com a Pastoral Carcerária e destaco esse trabalho pelo mandamento evangélico ‘estive preso e viestes me visitar’, nas palavras do próprio Jesus. Mas pelo ponto de vista da sociedade estas são pessoas esquecidas, subestimadas. Alguns desejam vê-los mortos”, lamenta Vitor em depoimento ao site da Arquidiocese de Vitória.
Para o padre Kelder, o futuro colega tem todas as qualidades para ser ordenado sacerdote. “Acompanho a trajetória vocacional do Vitor desde o início, quando ele entrou no seminário. É uma satisfação muito grande porque o Vitor é uma pessoa extremamente disciplinada e cumpre com muito zelo aquilo que assume. Ele tem uma grande capacidade de liderança”, elogia Kelder, que ainda compara: “Desde jovem ele sempre esteve vinculado aos movimentos sociais, foi uma liderança estudantil extremamente ativa. É como se fosse meu primogênito que estivesse sendo ordenado”.
Adepto da Teologia da Libertação, o futuro padre teve uma intensa experiência pastoral em paróquias da Arquidiocese, na condição de seminarista. Ele já atuou na Paróquia Bom Jesus, em Novo Horizonte, Cariacica (3 anos); na Paróquia Bem-Aventurado Pe. Eustáquio, em Concha D’Ostra, Guarapari (2 anos) e na Paróquia Bom Pastor (2 anos), em Campo Grande, Cariacica.
A ordenação sacerdotal de Vitor Noronha será realizada no 31 de julho, às 9h, no Santuário Divino Espírito Santo, em Vila Velha,
junto com o diácono permanente João Tozzi Sobrinho, um viúvo de 77 anos e pai de três filhos que foi autorizado a se tornar padre pelo arcebispo de Vitória, dom Dario Campos. Por causa das restrições da pandemia de Covid-19, a cerimônia terá acesso restrito de pessoas.