O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis está preocupado com a possibilidade de invasão do javali (
Sus scrofa scrofa), uma espécie exótica invasora, no território capixaba. No mês passado, o Ibama capacitou técnicos de sete municípios do
Espírito Santo para evitar, ou reduzir, danos socioambientais causados pelo animal selvagem.
Foram realizadas oficinas nas cidades de Irupi (ES), Ibitirama (ES), Dores do Rio Preto (ES), Guaçuí (ES), São José do Calçado (ES), Bom Jesus do Norte (ES) e Apiacá (ES) – municípios capixabas próximos a Minas Gerais, Estado onde há registros da presença do javali.
No ano passado, como mostrou a coluna, a cidade de Barra de São Francisco, no Noroeste capixaba, já havia dado o alerta para a possibilidade de invasão da espécie exótica no território do ES.
Nesses treinamentos, o Ibama apresentou requisitos legais e critérios técnicos para manejo, monitoramento e controle do animal. Os participantes das oficinas também foram capacitados para atuar como multiplicadores do conteúdo apresentado durante o evento.
Fora do seu habitat natural - Ásia, Europa e África -, o Sus scrofa scrofa é considerado uma espécie exótica que causa prejuízos em ambientes naturais e em atividades agropecuárias ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Pelo desequilíbrio ecológico que é capaz de gerar, os animais recebem o status de invasor.
As recentes aparições de javalis no Brasil foram registradas em regiões de
Minas Gerais - como municípios próximos ao Parque Nacional do Caparaó - e em áreas do Noroeste do Rio de Janeiro.
No Espírito Santo, apenas uma ocorrência do caso foi registrada, em
Linhares. Segundo o Ibama, as ações de controle foram tomadas no município do Norte do Estado. No momento, o foco do poder público é, além da ação de educação ambiental, realizar o monitoramento desses animais.
Esse trabalho, explica o Ibama, é realizado para detectar locais de possíveis entradas do javali no Estado. Assim, medidas de controle populacional da espécie e contenção dos danos causados em ecossistemas, lavouras e atividades pecuárias poderão ser tomadas.
Os javalis são exóticos. Em 1989, porcos selvagens entraram no Brasil, vindos do Uruguai, por Jaguarão (RS). Depois disso, nos anos 1990, javalis foram importados da Europa e do Canadá por produtores de suínos, que viram na carne nobre, altamente proteica e com baixo teor de gordura, um excelente negócio.
Entretanto, os bichos escaparam e se tornaram uma praga em boa parte do território nacional. Na mesa, são deliciosos; soltos na natureza, um problema. Em Minas Gerais, segundo o Ibama, são quase 200 municípios com registro do animal, sendo que 64 deles estão classificados com prioridade extremamente alta para a prevenção, no aspecto ambiental. Essas regiões apresentam áreas com flora e fauna mais sensíveis e espécies endêmicas ou ameaçadas de extinção.
O predador natural do javali e seu filho bastardo, o javaporco, é o lobo cinzento, que não existe no Brasil. Talvez a onça pudesse ser uma alternativa para promover o equilíbrio ecológico e controlar a proliferação desses animais, que não são nada bobos e não vão para territórios onde os felinos estão.
E, pelo que se sabe, não tem ninguém criando onça no quintal aqui no Espírito Santo. Então, o melhor é ficar de olho e, se alguém avistar um desses animais, deve avisar à Polícia Ambiental ou outra autoridade da área.