A proibição temporária de cultos e missas presenciais, por causa do agravamento da pandemia de Covid-19, não fere a liberdade religiosa. Não, não é um comunista ateu que está afirmando isso, mas sim o pastor, professor e doutor em Ciências da Religião Kenner Terra, da Igreja Batista no Espírito Santo.
“A igreja tem importante papel durante a
pandemia, que é o de cuidar, assistir espiritual e socialmente as pessoas e contribuir com a saúde mental dos seus membros e demais alcançados. Esses serviços continuam mesmo com os templos fechados para os cultos presenciais. Impedir os cultos presenciais não é ferir a liberdade religiosa, porque podemos continuar professando a fé publicamente”, considerou o pastor, que também é coordenador do Fórum Evangelho e Justiça, que reúne lideranças evangélicas.
Para ele, o quadro atual da pandemia justifica as restrições adotadas por muitos prefeitos e governadores. Terra considera que permitir cultos, mesmo com cuidados sanitários como distanciamento social e uso de álcool em gel, não é adequado porque, segundo ele, essas medidas não são suficientes para garantir a segurança dos fiéis.
“Nesta fase da pandemia,
com 4 mil mortes por dia, não há garantias de que as medidas de restrição adotadas para os cultos realmente protejam de todos os riscos”, observou.
“Em sustentação oral, André Mendonça, especialmente na conclusão cheia de retórica barata, usa paralelismos equivocadíssimos, como o de que ‘não há cristianismo sem a casa de Deus, não há cristianismo sem o dia do Senhor’”, afirmou Terra. “Em resumo, [Mendonça diz que] só há cristianismo com cultos no tempo aos domingos.”
E foi além, na análise da argumentação de Mendonça: “Estranho uma defesa jurídica ser sustentada com discurso teológico — fraquíssimos, diga-se de passagem”, avaliou Kenner Terra. “O irmão Mendonça é protestante? Ele está precisando participar mais da Escola Bíblica Dominical, aula 1: fundamentos da fé”, ironizou o pastor capixaba, sugerindo que falta formação bíblica mais profunda ao chefe da AGU.