Qualquer partida de dominó na praça de Eucalipto, em Vitória, atrai mais gente: o jogo Capixaba 2 x 1 Vilavelhense, na última quinta-feira (29/1), pela fase inicial do Capixabão, levou apenas 13 torcedores ao Estádio Sumaré, em
Cachoeiro de Itapemirim.
Mesmo assim, desses 13 abnegados, segundo o boletim financeiro da Federação de Futebol, apenas oito espectadores pagaram ingresso - os outros cinco receberam entradas de cortesia para assistir à partida. Outros 2.032 ingressos confeccionados foram devolvidos.
Com tão pouca gente no estádio do Sul do Espírito Santo, o prejuízo financeiro foi grande: sete torcedores pagaram ingresso “cheio”, no valor de R$ 40 cada um, proporcionando uma arrecadação de R$ 280. Um espectador pagou meia-entrada, no valor de R$ 20. Total arrecadado no Sumaré: R$ 300 - a receita bruta do jogo.
A receita subiu de escada, a despesa foi de elevador: de acordo com o boletim financeiro da FES, a partida Capixaba x Vilavelhense consumiu R$ 8.445,50, referentes a custos normais de uma partida de futebol profissional, incluindo impostos, seguro, INSS, aluguel de estádio, remuneração de funcionários, transporte e confecção de ingressos, entre outros itens. O saldo negativo do jogo: R$ 8.155,50.
Talvez tenha contribuído para o público diminuto o fato de os times envolvidos no jogo não serem de Cachoeiro e atuarem longe de suas sedes por não terem estádio próprio.
O Capixaba tem endereço em Vila Velha, mas treina em Alegre por causa de uma parceria com o município. Joga atualmente no Sumaré, mas já inverteu o mando de campo numa partida. O Forte é de Castelo, mas joga em Vargem Alta também em uma parceria com a cidade. E o Vilavelhense faz seus jogos no Sumaré.
A assessoria da Federação Capixaba de Futebol explicou que os patrocínios já garantiram a sustentabilidade financeira do Capixabão 2026, competição que não depende da arrecadação da bilheteria de jogos para se viabilizar. Em caso de superávit, informa a FES, o clube mandante do jogo embolsa o lucro, podendo até dividir a receita com o adversário, se houver acerto neste sentido.
O grande patrocinador do campeonato é o governo do Estado, que destinou cerca de R$ 6 milhões à competição, incluindo a transmissão de todos os jogos pela TVE, a emissora oficial.
O confronto Desportiva x Rio Branco (1 a 1), no Engenheiro Araripe, recebeu 4.523 torcedores, que proporcionaram uma renda de R$ 90.800,00. Nesta partida, a receita líquida foi de R$ 64.989.90.
Foi uma (ótima) exceção, mas a coluna torce para que seja regra no futuro do futebol capixaba.