O Estadão não curtiu. Nem todo mundo gostou da iniciativa do presidente Lula (PT), que conferiu a Guarapari, por meio de uma lei, o título de
“Capital Nacional da Biodiversidade Marinha”. O site “Mar sem Fim”, hospedado no jornal paulista, criticou o presidente pela iniciativa e apontou uma série de problemas ambientais que afetam o mais famoso balneário capixaba.
“No Brasil, essa função [de determinar se uma área tem riqueza cultural ou biodiversidade] cabia anteriormente ao ICMBio e ao Ibama, com base em pesquisas científicas. Agora, essa responsabilidade passou a ser do presidente Lula, que determina as diretrizes e encerra o debate. Quem não concorda, que se ajuste”, escreveu o jornalista João Lara Mesquita, o editor da página e autor do texto publicado na sexta-feira (18).
Além de criticar o presidente por assinar a Lei 15.004/24, de autoria da ex-deputada federal Dra. Soraya Manato (ES), o site do Estadão recorre a matérias da imprensa capixaba para sustentar que o município capixaba não seria merecedor desse reconhecimento.
Entre essas matérias, o site “Mar sem Fim” aponta uma
matéria desta coluna, publicada no dia 21 de março deste ano, que mostra que o Espírito Santo tem duas cidades no ranking das 38 cidades com ar mais poluído do Brasil - Serra (28º) e Guarapari (36º) -, segundo o relatório World Air Quality de 2023.
Outras reportagens citadas pelo Estadão mostram problemas ambientais, como o emissário submarino que estava em desconformidade com a legislação brasileira, a fiscalização insuficiente sobre ligações clandestinas de esgoto à rede pluvial, ausência de campanhas de educação da população e estações de tratamento de esgoto operando de forma deficitária.
A especulação imobiliária é outro problema levantado pelo jornal paulista como fator que contribui para a poluição do balneário: “Em
Guarapari, que o presidente quer homenagear, prédios e casas de segunda residência foram construídos em cima de restingas, falésias, e manguezais. Segundo A Gazeta, ‘em menos de um mês o avanço do mar provocou o desmoronamento de um trecho do muro e calçadão da Praia da Areia Preta’”.
Até as famosas praias de Guarapari e do Estado não foram poupadas pelo centenário jornal paulista. “O litoral do Espírito Santo, muito antes ainda dos alertas sobre o aquecimento do planeta, já sofria com déficit de areia. Quem conhece, sabe. As praias são estreitas, com pouca areia. E, atrás delas, onde antes havia Mata Atlântica, hoje há apenas eucaliptos. Em quase todas as praias do Estado, ao olhar para o interior, você verá uma floresta sem graça, quase sem vida, uniforme, o eucalipto.”
E conclui o Estadão: “Mas, como o presidente quer, e sem nenhum amparo da academia, Guarapari tornou-se Capital da Biodiversidade Marinha.
Qual será a próxima?”, pergunta João Lara Mesquita.