A Justiça determinou que a Diocese de São Mateus reintegre o seminarista Wilson Rodrigues Nascimento ao Seminário Maior de onde foi expulso, em abril passado, por ter se recusado a frequentar as aulas presenciais determinadas pelo reitor da instituição. O seminarista, que recorreu à
Defensoria Pública Estadual, alegou que o espaço de formação era inadequado e que, por isso, ele corria risco de ser contaminado pela Covid-19.
Em seu despacho, o juiz Dejairo Xavier Cordeiro, da 5ª Vara Cível da Serra (município onde está localizado o Seminário Maior), concede a liminar e determina que se a Diocese de São Mateus descumprir a decisão, sofrerá multa de R$ 200 com limite de R$ 3 mil.
O juiz, entretanto, não decidiu conceder ao seminarista afastado os R$ 20 mil pleiteados por ele a título de indenização por danos morais. O magistrado identificou um conflito no pedido, relativo a valores, e intimou Wilson Nascimento a fazer uma emenda na sua ação judicial.
O outro seminarista expulso do seminário, Pablo Antunes Colle, 26 anos, não foi beneficiado pela decisão por não ter apresentado uma ação à Justiça pedindo sua reintegração.
Em entrevista à repórter Vilmara Fernandes, em abril, Wilson, de 20 anos, diz que inicialmente acatou a decisão do reitor, padre Elder Miossi, e chegou voltar para o seminário, mas alega que foi apresentado a ele um documento que teria que assinar, se responsabilizando pelo que acontecesse com ele enquanto estivesse no seminário.
“Me recusei a assinar porque estava naquele local por convocação deles. A decisão do reitor foi de me expulsar. Consegui ajuda com a paróquia da minha cidade para retornar para minha casa, em Boa Esperança”, contou Wilson na ocasião.
A coluna solicitou e aguarda um posicionamento do bispo de São Mateus, Paulo Bosi Dal'Bó, e do reitor do seminário, padre Elder Miossi.