A tragédia da
pandemia de Covid-19, além das milhares de vidas humanas, está provocando devastação também na cultura. Os exemplos estão por toda a parte, mas vamos destacar aqui dois museus históricos localizados no interior do Estado que estão fechados há sete anos para o público em geral: o Museu Imperial de
São Mateus e ÁfricaBrasil Museu Intercontinental.
Mantido com recursos próprios pelo escritor e jornalista Maciel de Aguiar, os dois patrimônios culturais estão precisando de socorro. A causa sensibilizou até o Parlamento capixaba. Numa sessão virtual da
Assembleia na semana passada, o
deputado estadual Sérgio Majeski (PSB) propôs ao governo do Estado que assuma a manutenção dos dois espaços culturais. “[Os museus] são uma parte fundamental para a preservação da história de um povo”, observou Majeski.
A proposição foi apoiada também pelos deputados Hércules Silveira (MDB) e Iriny Lopes (PT). “Há mais de dez anos essa história se arrasta”, lamentou a petista. “É preciso que o poder público, especialmente o governo do Estado, dê atenção”, reforçou Dr. Hércules.
Durante a sessão, o líder do governo na Assembleia, deputado Freitas (PSB), que é de São Mateus, apoiou a indicação de Majeski e adiantou que “fez alguma movimentação” junto ao governo do Estado, “de forma direta”, pela manutenção dos museus.
E como está a situação real dos dois patrimônios culturais? O Museu Imperial de São Mateus, localizado no Porto de São Mateus, com entrada gratuita, atendia, sobretudo, a estudantes e professores das escolas da rede pública. Segundo Maciel de Aguiar, tem um importante acervo sobre o Primeiro e Segundo Reinados no Brasil com móveis, quadros, louças, tapetes e pratos brasonados e coroados, entre outros itens.
O ÁfricaBrasil retrata a resistência à escravidão, com objetos, quadros, instrumentos de suplício, documentos e várias cenas de Rugendas e Debret em tamanho original e fibra de vidro. Também possui, de acordo com o seu mantenedor, o maior acervo da América Latina de esculturas e máscaras africanas dos séculos XVIII, XIX e XX.
Os dois prédios históricos para o funcionamento dos museus foram comprados e restaurados em 2001 com recursos próprios e depois foram inaugurados. Os equipamentos culturais nunca receberam dinheiro público ou recursos financeiros da Lei Rouanet.
“A partir de 2010 os prédios vêm sendo depredados, vandalizados e foram várias vezes arrombados e roubados. Parte do acervo foi retirada do local em decorrência do abandono do Porto pelo governo do Estado e a Prefeitura de São Mateus”, lamenta Maciel.
A partir de 2014 os funcionários dos dois museus foram demitidos. Os espaços foram fechados para o público e passaram a atender às escolas com agendamento prévio, mas, com a pandemia de Covid-19, foram fechados definitivamente. Fechados, estão mortos. E uma sociedade sem
cultura é uma sociedade sem vida.
Em nota à coluna, a Secretaria Estadual da Cultura (Secult) informa que foi procurada pelo deputado Freitas para apresentação da demanda "que será aprofundada em reunião posterior". "O encaminhamento tem total consonância com as políticas para espaços culturais que a Secult tem estruturado justamente com o objetivo de fortalecer os espaços públicos e privados de cultura de todo o ES", diz a nota.