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Leonel Ximenes

Na contramão do ES, cidade da Grande Vitória vê violência crescer

Município está passando por uma explosão de homicídios em 2025, com aumento de 73% em 273 dias

Publicado em 28 de Outubro de 2025 às 03:11

Públicado em 

28 out 2025 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Viatura da Guarda Municipal de Viana
Viatura da Guarda Municipal de Viana Crédito: Prefeitura de Viana
O Espírito Santo prepara-se para fechar mais um ano com redução no número absoluto de homicídios, pelo sétimo ano consecutivo, mas, por outro lado, apresenta regiões localizadas em que a ocorrência de crimes dolosos ainda causa muita preocupação às autoridades da área da Segurança Pública.
Mais do que o número absoluto de crimes, porém, que tem relação com o tamanho das cidades, um dado que especialistas levam em conta é o número de homicídios por grupos de 100 mil habitantes.
Segundo levantamento do jornalista e geógrafo José Costa, 11 municípios concentram 67,14% da população capixaba e 69,23% dos crimes dolosos. A taxa por 100 mil habitantes do Espírito Santo em 2025, por enquanto, está em 20,5 homicídios. Dos 11 municípios de maior população, seis têm taxa menor do que a média do Estado, e cinco têm taxas maiores.
O Programa Estado Presente dividiu o Estado em cinco grandes Regiões Integradas de Segurança Pública (RISP). Uma na Região Metropolitana, duas na porção ao Norte de Vitória e duas na porção territorial mais ao Sul. A porção Sul é a menos violenta.
Das duas regiões da porção Norte, a que mais preocupa é a RISP Norte, que comporta todos os municípios litorâneos, de Fundão a Conceição da Barra, mais Rio Bananal, Vila Valério e Pedro Canário. Principalmente, os mais próximos ao Sul da Bahia são os que mais requerem cuidado.
"As estatísticas comprovam isso. Embora tenha havido uma acentuada redução no número de homicídios nessa região nos últimos dois anos, os índices ainda são altos. A taxa média por 100 mil habitantes nessa região é de 30,11 homicídios, um valor 50% maior do que a média estadual", pondera Costa.
E fica nessa região a cidade com maior taxa por 100 mil no Espírito Santo: Linhares, com 33,46 homicídios. A segunda maior taxa, porém, está na Grande Vitória. Viana, com 79.043 habitantes, experimentou uma explosão de homicídios em 2025, com aumento de 73% em 273 dias (referência é o dia 26 de outubro) do ano, em comparação com o mesmo período de 2024, projetando uma taxa de 32,14 homicídios por grupo de 100 mil habitantes para o ano.
Além da violência crescente, Linhares têm em comum o vigoroso crescimento econômico e populacional nos últimos anos. Em 12 anos, no intervalo de um Censo do IBGE e outro, a população da cidade do Norte do Estado cresceu mais de 30% (de 140 mil para 188 mil pessoas) e Viana mais de 20% (de 65 mil para 79)
A tabela com a projeção de homicídios por grupo de 100 mil habitantes
A tabela com a projeção de homicídios por grupo de 100 mil habitantes Crédito: José Costa
Essa violência está se refletindo em dois municípios vizinhos – Guarapari, com aumento de 54% nos homicídios, e Vila Velha, com 28%. É a região que concentra os dois maiores complexos penitenciários do Estado – o de Viana e o do Xuri, na divisa de Vila Velha com Guarapari.
O balneário de Guarapari, embora tenha uma taxa por 100 mil de 19,4 homicídios, viu esse índice aumentar muito de 2024 para 2025.
Do outro lado dessa realidade estão Cachoeiro de Itapemirim, a maior população do interior do Estado, com 198.342 habitantes, e uma taxa de 6,74 homicídios por 100 mil habitantes, e Vitória, a capital do Estado, que tem taxa de 10,9.

HOMICÍDIOS EM QUEDA

O Atlas da Violência 2025, divulgado em maio pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e que trabalhou dados de 2023, indicou a menor taxa de homicídios nos últimos 11 anos no Brasil, com taxa de 21,2 casos por 100 mil habitantes.
O Estado com a menor taxa do Brasil é São Paulo com 6,5 por 100 mil habitantes. O mais violento é o Amapá com 57,4.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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