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Leonel Ximenes

Não fique nervoso: cor vermelha na Igreja não tem nada a ver com comunismo

Coluna explica o significado das cores litúrgicas, alvo da ignorância e da fúria de muita gente nas redes sociais; cardeal de SP foi uma das vítimas

Publicado em 18 de Outubro de 2022 às 02:15

Públicado em 

18 out 2022 às 02:15
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Dom Odilo e padres em celebração de missa em honra de santos mártires católicos
Dom Odilo e padres em celebração de missa em honra de santos mártires católicos Crédito: Divulgação
O cardeal-arcebispo de São Paulo, o insuspeitíssimo dom Odilo Scherer, teve que gastar parte do seu precioso tempo, neste domingo (16), para se “defender” dos ataques de internautas nas redes sociais. A “acusação”? Ele seria de “esquerda” e “comunista” por estar vestido de vermelho na foto do seu perfil.
Como a ignorância não tem limites (nem cor), o cardeal, um dos mais proeminentes membros da Igreja Católica no Brasil, teve que explicar aos seus seguidores e ao público em geral o significado da cor e, em seguidas postagens, esclarecer que não é comunista nem abortista, como muitos sectários apressaram em apontar.
Dom Odilo teve que ir às redes sociais se
Dom Odilo teve que ir às redes sociais se "defender" dos ataques Crédito: Reprodução do Twitter
A coluna recorreu ao padre Renato Criste, pároco da Catedral de Vitória, para explicar o significado de cada cor utilizada há centenas de anos pela Igreja Católica (descobriram que também se usa vermelho na liturgia só agora?).
“As cores litúrgicas são usadas nos paramentos, como estola e casula, de acordo com o tempo litúrgico durante as celebrações litúrgicas, incluindo missas e sacramentos como batismo, casamento, bênçãos, exéquias”, ensina o sacerdote.
A cor verde é utilizada no chamado Tempo Comum; o roxo, no Advento e na Quaresma; o branco, nas festas e solenidades; e o vermelho, alvo da ira dos intolerantes e ignorantes, utilizada para fins nobres: Domingo de Pentecostes, Domingo de Ramos e memórias dos santos mártires e apóstolos. Portanto, não tem nada de comunismo na cor. Há centenas de anos é assim.
"Tempos estranhos esses nossos! Conheço bastante a história. Às vezes, parece-me reviver os tempos da ascensão ao poder dos regimes totalitários, especialmente o fascismo. É preciso ter muita calma e discernimento nesta hora!"
Dom Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de SP - Nas redes sociais, manifestando seu espanto (e o nosso também) pela fúria dos ignorantes
“Além dos paramentos, os clérigos usam a veste talar, também chamada de hábito”, observa o pároco da Catedral. Criste destaca ainda que os cardeais, como é o caso de d. Odilo, usam batina vermelha. Os padres usam a cor preta e o chefe de todos eles, o papa, batina branca.
Renato Criste lamenta os ataques de que são vítimas ministros ordenados da Igreja, e atribui essa insanidade ao desconhecimento. “Penso que é uma ignorância, por desconhecer as insígnias clericais e a riqueza dos seus significados de longínqua tradição.
Consistório com o papa na Basílica de São Pedro: vermelho é a cor dos cardeais; do santo padre é o branco
Consistório com o papa na Basílica de São Pedro: vermelho é a cor dos cardeais; o branco, do papa Crédito: Divulgação
É uma pena que episódios assim desvirtuam a reflexão sensata e lúcida sobre os reais problemas e ameaças que sofrem a população.”
É preciso ver o mundo de uma forma menos agressiva e sectária. Um mundo multicolorido e de respeito às diferenças e aos diferentes. Que tal começar com a cor branca da paz?

PARA QUE SERVEM AS CORES LITÚRGICAS

  • VERDE - Tempo comum
  • ROXO - Advento e Quaresma
  • BRANCO - Festas e solenidades
  • VERMELHO - Domingo de Ramos, Domingo de Pentecostes e memórias de santos mártires e apóstolos

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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