A praia foi trocada pelo verde das matas; o calor pelo frio; a moqueca pelas massas. O
coronel Nylton Rodrigues, que comandou a
Polícia Militar do Espírito Santo durante a greve da corporação em 2017, mudou-se de Vitória para Curitiba (PR) onde curte a aposentadoria ao lado da família, desde o final do ano passado.
Ex-secretário de
Segurança Pública do Estado no governo Paulo Hartung, candidato a prefeito de Vitória em 2020 pelo Novo e ex-secretário de Segurança da Serra, o coronel diz que o motivo da mudança foi pessoal, e não tem nada a ver com a política.
Ele explica que sua mulher passou em um concurso público federal e foi chamada para trabalhar exatamente na capital paranaense. “Minha missão agora é acompanhar minha mulher”, resume Nylton, feliz ao lado da filha do casal de dois anos e meio.
Em
Curitiba, o militar aposentado segue uma rotina diária de treinos de corrida, esporte que adotou nos últimos anos quando morava em Vitória. Ela integra uma equipe de corrida na cidade do Sul do país. “Corro em torno de 70 quilômetros por semana”, calcula o coronel, que no mês que vem participará da Meia-Maratona de Florianópolis (SC).
Voltando ao conceito de missão, Nylton Rodrigues diz que se recorda com muito orgulho dos momentos tensos que viveu quando assumiu o Comando-Geral da PM durante a greve da corporação em 2017. “Com certeza foi a maior crise da história da segurança pública do Espírito Santo. Com repercussão em todo o país.”
E qual a lição que ele tira desse episódio dramático para ele e para o Estado? “É que deve se fazer o que é certo, mesmo que você enfrente duras e injustas agressões. A lei tem que ser cumprida”, afirma o coronel, que foi criticado por uma ala da Polícia Militar pela maneira, firme e decisiva, como enfrentou o movimento ilegal.
“Cumpri minha missão, não me arrependo de nada. Muitos estavam cegos e desorientados naquela época”, critica Nylton Rodrigues, que além das corridas de rua, se ocupa de outra atividade bem mais lúdica atualmente: torcedor de futebol.
O neocuritibano já adotou o Coritiba como seu clube de coração. Mas, neste caso, ele pode ser apontado como um torcedor “traidor” das cores rubro-negras. É que apesar de ser flamenguista, o coronel não quis torcer pelo Atlético Paranaense, clube que tem as mesmas cores do Flamengo.
Ele tem uma explicação “geopolítica” para isso. “É que moro a 800 metros do Estádio do Coritiba, o Couto Pereira. Me identifiquei mais por causa da proximidade”, brinca Nylton, que já é visto na capital paranaense trajando a camisa com as cores do grande rival do Atlético.