Tem gente que investe em imóveis; tem quem prefira deixar seu dinheiro rendendo no mercado financeiro; outros compram carros, joias, ou gastam em viagens, restaurantes ou em outros prazeres da vida.
Mas tem um grupo bem seleto que gasta seu dinheiro em campanha eleitoral. E, se a referência de indicação de retorno forem as pesquisas, parece estar sendo um mau investimento até o momento. É o caso de dois candidatos a
governador do Espírito Santo.
Aos números.
Guerino Zanon (PSD), empresário bem-sucedido e prefeito da próspera Linhares por cinco mandatos, já colocou a mão no próprio bolso e retirou R$ 170 mil para bancar sua candidatura ao Palácio Anchieta. Esse montante representa 77,25% dos R$ 220 mil arrecadados até agora pela sua campanha, segundo prestação de contas do PSD à Justiça Eleitoral.
Outro caso emblemático é o do empresário
Aridelmo Teixeira, candidato do Novo para ocupar a cadeira de
Renato Casagrande (PSB). Ele já gastou, de recursos próprios, R$ 155 mil, o que representa 88,57% do total arrecadado pela sua campanha - R$ 175 mil.
Apesar de tanto dinheiro pessoal, o resultado eleitoral parece pífio, por enquanto. Na pesquisa Ipec/Rede Gazeta mais recente ele tem apenas 1% das intenções de voto. Está em sexto lugar na corrida, ao lado do desconhecido
Cláudio Paiva (PRTB).
No caso do candidato do Novo, há que se fazer um registro importante: o partido, em âmbito nacional, não aceita recursos do Fundo Eleitoral, essa montanha de dinheiro público que irriga as campanhas eleitorais pelo Brasil afora.
São R$ 4,9 bilhões que saíram do bolso do povo brasileiro (sem que o povo autorizasse esse saque).
Mas é bom lembrar que estamos no Brasil, o país da desigualdade por excelência, fenômeno que também se expressa na campanha eleitoral. Enquanto Aridelmo e Guerino já gastaram mais de R$ 300 mil (no total) do seu próprio dinheiro, o candidato do PSTU ao governo do ES,
Capitão Vinicius Sousa, só arrecadou R$ 600 até agora, bancados por três apoiadores.
Sim, isso mesmo que você leu: 600 reais. Não dá para bancar sequer uma campanha de síndico, embora o candidato socialista, com surpreendentes 3% das intenções de voto, esteja mostrando aos seus oponentes ricos que sabe alcançar muito mais com menos. Uma lição. De eficiência capitalista?