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Leonel Ximenes

Polícia apreende menos de 10 armas por dia desde 2016 no ES

Números mostram que quanto mais armas estão em circulação, mais homicídios acontecem

Publicado em 04 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 abr 2020 às 05:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Foram apreendidas armas, munições de calibre pesado e drogas
Armas, munições de calibre pesado e drogas apreendidas Crédito: Reprodução/Polícia Civil
As forças de segurança do Espírito Santo apreendem menos de 10 armas de fogo por dia desde 2016. Em 2020, considerando o primeiro trimestre, a média ficou em 8,7 por dia (792 no total), um leve aumento em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram retirados diariamente, na média, 8,12 armamentos (732 ao longo do tempo). No entanto, ainda abaixo do que se viu em todo o ano de 2019, com 3.327 apreensões, significando menos 9,11 equipamentos fora das ruas a cada 24 horas naquele período.
A apreensão de armas de fogo é importante para auxiliar na redução dos assassinatos e demais crimes contra o patrimônio. Em 2013, quando foram apreendidas 4.266 (11,68/dia), os homicídios tiveram retração de 5,7% (de 1.660, em 2012, para 1.564, em 2013). No ano seguinte, com 4.301 apreensões (11,78/dia), a queda dos crimes contra a vida foi pequena, na casa de 2,23% (1.529 homicídios).
O ano de 2015, por sua vez, com 4.026 armas apreendidas (11,03/dia), foi cenário para redução de 9% dos homicídios dolosos (total de 1.391). O ano seguinte, 2016, com o pico de 4.842 apreensões (13,22/dia), representou uma expressiva diminuição de mortes violentas: 15,09% (havendo 1.181 homicídios).
O ano da greve da PM representou a queda na apreensão de armas, ficando abaixo do patamar de 10 por dia. No fatídico 2017, quando 1.407 pessoas foram assassinadas, as forças de segurança tiraram 3.113 armas dos criminosos (8,52 a cada 24 horas).
No período seguinte, 2018, houve nova diminuição, com 3.002 apreensões, média de 8,22 por dia. Contudo, houve uma óbvia queda de homicídios de 21,17% (registro de 1.109 crimes). O ano de 2019 representou um respiro para a retirada de armas de fogo. Foram tirados 3.327 equipamentos (aumento de 10,82%) e a quantidade de gente morta violentamente teve retração de 11,72% (979 crimes).

ONDE MENOS SE APREENDE, MAIS SE MATA

Embora haja a tendência de aumento no confisco de armas de posse nas mãos dos criminosos (8,19% na comparação do primeiro trimestre deste ano com o de 2019), a ação das forças de segurança pública não foi suficiente para evitar a escalada dos assassinatos, que vem crescendo desde agosto do ano passado e que se consolidou no primeiro trimestre de 2020, especialmente em março.
Das 373 apreensões na Grande Vitória (no ano passado tinham sido 335), 66 foram em Cariacica, que obteve a menor quantidade de armas retiradas da região metropolitana. De janeiro a março, o município teve 57 assassinatos, sendo que no mesmo período de 2019 tinham sido 39 (e mais armas foram retiradas: 84).

TIROU MAIS, MAS NÃO SURTIU EFEITO

Vila Velha e Serra apreenderam mais armas nos primeiros 90 dias deste ano, mas depararam com o fenômeno da onda de banho de sangue.
A cidade canela-verde conseguiu apreender 101 tipos de revólveres e afins (sendo que em 2019 o número foi de 51, quase o dobro neste ano), contudo os assassinatos não conseguiram ser contidos. Passou de 43 para 54. Acréscimo de 26%.
O município serrano teve um aumento mais tímido de retirada de armas de fogo: 101, em 2019, contra 113 de 2020. Mas a escalada dos homicídios dolosos foi ousada, de percentual de 27%, com 62 assassinatos neste ano e outros 49 no ano anterior.
Os dados da coluna foram levantados com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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