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Leonel Ximenes

Por que a Serra estará em livros de História em todo o Brasil?

Acontecimento que marcou a hoje mais populosa cidade do Espírito Santo será destaque em obra do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do Ministério da Educação

Publicado em 28 de Abril de 2024 às 03:11

Públicado em 

28 abr 2024 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

As ruínas da igreja do Sítio Histórico do Queimado, na Serra
As ruínas da igreja de São José no Sítio Histórico do Queimado, na Serra Crédito: Edson Reis
A Insurreição do Queimado, na Serra, o maior movimento de revolta de escravizados no Espírito Santo, e que completou 175 anos em 19 de março, ficará mais conhecida em todo o país.
É que Alfredo Boulos Júnior, autor referência nacional em livros didáticos de História, vai incluir o acontecimento ocorrido na Serra, em 1849, em sua coleção “História: Sociedade & Cidadania”, que integra atualmente o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do Ministério da Educação, e é adotada também na rede da Serra.
“Durante uma formação com professores do Espírito Santo que utilizam o meu material, fui apresentado à história de Queimado e a Chico Prego pela professora Nádia Serafim, que atua na Coordenação de Estudos Étnico-Raciais da Educação da Serra. É uma história fascinante, de luta, de resistência do povo preto e que merece alcançar mais e mais estudantes. Combinei que esta será a última edição da minha coleção de História sem a Insurreição do Queimado”, disse o professor Boulos.
O Sítio histórico do Queimado foi palco do principal movimento contra a escravidão no Espírito Santo, a Insurreição de Queimado
O Sítio histórico do Queimado foi palco do principal movimento contra a escravidão no Espírito Santo, a Insurreição de Queimado Crédito: Edson Reis
Ele fez movimento semelhante com professores do Piauí ao acrescentar nos seus livros a vida de Esperança Garcia, a escravizada do século XVIII, considerada a primeira advogada brasileira. “Acontecimentos como o de Queimado provam que, na nossa história, o povo negro foi, sim, protagonista e reativo em sua luta por liberdade, pelo fim da escravidão e por direitos. Uma visão muito limitada de nossa História alimenta o senso comum de que tudo se resumiu ao 13 de maio, como se tudo tivesse se resolvido ali”, compara.
O professor Boulos lembra que a Revolta dos Malês, considerada o maior levante negro urbano contra a escravidão no Brasil, ocorrida na Bahia em 1835, também foi ignorada por muito tempo, como acontece com Queimado. Ela só conquistou espaço na educação histórica após ser estudada pela Academia e divulgada nos livros didáticos.
“Ela foi estudada minuciosamente pelo historiador João José Reis e o seu trabalho publicado 'Rebelião Escrava no Brasil: A história do levante dos Malês em 1835' se tornou um clássico da historiografia brasileira. A partir daí, o interesse acadêmico cresceu, impulsionando outras pesquisas. A Revolta dos Malês foi ‘redescoberta’, digamos assim. Queimado já conta com uma memória social consolidada e já reúne trabalhos e pesquisas. A maior visibilidade passa por um trabalho conjunto, onde autores e professores também podem contribuir”, argumenta.

O SÍTIO HISTÓRICO DE QUEIMADO

Localizado na Serra, o Sítio Histórico do Queimado foi palco do principal movimento contra a escravidão no Espírito Santo, a Insurreição de Queimado, desencadeada em 19 de março de 1849. Atualmente, o sítio histórico, composto pelas ruínas da igreja de São José e tombado pelo Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo, passa por revitalização feita pela Secretaria Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer (Setur) da Serra.
A área foi doada para a Prefeitura da Serra em 2015 e, de lá para cá, foram feitas intervenções para reforço na estrutura do que restou do templo. Foram incluídos escada e patamar de ferro para que se possa ter uma vista de todo o sítio histórico.
Visitantes no Sítio Histórico do Queimado
Visitantes no Sítio Histórico do Queimado Crédito: Edson Reis
O projeto inclui ainda calçadas ao redor para facilitar a locomoção e um centro de apoio aos visitantes. A previsão é que as reformas sejam entregues em 2024.
Todos os anos, em 19 de março, o local é ocupado por entidades ligadas à causa antirracista e coletivos de movimentos negros, além de bandas de congo da Serra e representantes de religiões de matriz africana.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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