O atacante brasileiro Richarlison estreou com o pé calibrado em Copas do Mundo. Marcou dois gols contra a Sérvia e, sem dúvida alguma, se consagrou com a melhor estreia de um capixaba na seleção brasileira em Mundiais. Entretanto, o desbravador do Espírito Santo com o uniforme da seleção no campeonato da Fifa não teve tanta sorte assim.
O zagueiro Fontana, um dos melhores da posição e que fez história no Vasco, foi o único do
Estado, até o momento, a ganhar uma Copa do Mundo. E na única partida que fez pelo lendário Mundial de 1970, no México, foi alvo das cornetadas na única partida em que disputou. E logo como titular.
De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, a atuação dele na vitória suada de 3 a 2 do Brasil sobre a Romênia, em 10 de junho de 1970, não foi digna do futebol que o levou a ser convocado. “Fontana também falhou no lance do primeiro gol romeno e demonstrou que não pode ser titular em um jogo de maior categoria”, publicou o jornal paulista.
Vicente Feola, técnico da seleção brasileira campeã em 1958, na Suécia, rasgou o verbo contra todo o time. À época, ele estava como comentarista de O Globo. “O jogador brasileiro ainda não se acostumou aos elogios e não sabe ficar por cima sem que comece a facilitar as coisas, a enfeitar. Já esperávamos essa reação da seleção, depois de estupendas vitórias iniciais”, disse o comentarista.
Ele destilou suas críticas à defesa. “(...) Os dois jogadores da nossa defesa não conseguiam se entrosar. Brito esperava pela antecipação de Fontana, este confiava na cobertura daquele e isso preocupou toda a retaguarda.” Feola também afirmou que os dois beques até melhoraram na etapa final, “mas ainda assim deixaram algo a desejar”.
O cronista Nelson Rodrigues, apaixonado pelo futebol, também deu seus "pitacos" irônicos: “Éramos os reis do jogo. E já alguns brasileiros rebolavam, evidentemente. Brito enfeitou. Fontana um pouco. Marco Antônio também”.
Foi uma partida um pouco fora da curva para o jogador natural de
Santa Teresa que marcou história na zaga. E que não mancha em nada a trajetória vitoriosa. Afinal, jogar com Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino é para poucos.
E para poucos ainda é ser nome de uma comenda da
Assembleia Legislativa dedicada aos melhores esportistas do Espírito Santo. A Comenda do Mérito Esportivo “José de Anchieta Fontana”.