A maioria dos capixabas possivelmente nunca ouviu falar em Amâncio Pinto Pereira (1862-1918). Professor, jornalista, historiador e escritor, é autor de inúmeros poemas, contos, novelas, romances, artigos, almanaques e didáticos. Se consagrou também como dramaturgo, por suas comédias, dramas, revistas e operetas, encenados nos teatros de
Vitória por mais de 30 anos, de 1890 a 1920.
Professor Amâncio participou da vida cultural da Capital em toda a sua existência e formou uma geração de capixabas amantes da história e da cultura. No entanto, seu nome e sua obra, ainda hoje, são desconhecidos pela maioria da população do ES.
Mas dar o devido reconhecimento à vasta obra literária, informativa e didática deste professor primário, negro e abolicionista, a Comissão de Educação da
Assembleia Legislativa aprovou o projeto, do deputado
Fabrício Gandini (PSD), que declara o educador “Patrono da Educação” no Estado do Espírito Santo.
“Por sua origem humilde, sem ter escolarização superior e ser descendente de negros, sofreu discriminação social, cultural e racial e, talvez por isso, sua obra, sobretudo a literária, tenha sido menosprezada pelos historiadores da literatura produzida no Espírito Santo, em todos os tempos”, analisa Francisco Aurélio Ribeiro, doutor em Letras, pesquisador da Literatura e da História do ES e presidente de honra da Academia Espírito-Santense de Letras (AEL).
Desde 1888, quando publicou sua primeira peça teatral, “Deomar”, drama em três atos com temática política, Amâncio Pereira fez da literatura uma aliada para expressar sua imensa criatividade, sua visão de mundo abolicionista, republicana e crítica da burguesia no poder, e, também, seu ganha-pão.
O deputado Gandini lembrou que conheceu a obra de Amâncio por meio do advogado, professor e escritor Anaximandro Amorim e, ao descobrir o legado, aceitou criar o projeto que concede o título de “Patrono da Educação Capixaba” a um homem que venceu os desafios do seu tempo com os seus próprios méritos.
“O projeto foi aprovado pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa. Caso também seja aprovado em plenário, será uma forma de valorizarmos de uma só vez o magistério e a raça negra”, observa o deputado estadual.