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Leonel Ximenes

Professor negro pode se tornar o “Patrono da Educação Capixaba”

De origem humilde, intelectual participou ativamente da vida cultural de Vitória entre os séculos 19 e 20

Publicado em 03 de Março de 2024 às 03:11

Públicado em 

03 mar 2024 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Amâncio Pinto Pereira é autor de inúmeros poemas, contos, novelas, romances, artigos, almanaques e didáticos
Amâncio Pinto Pereira é autor de inúmeros poemas, contos, novelas, romances, artigos, almanaques e didáticos Crédito: Divulgação
A maioria dos capixabas possivelmente nunca ouviu falar em Amâncio Pinto Pereira (1862-1918). Professor, jornalista, historiador e escritor, é autor de inúmeros poemas, contos, novelas, romances, artigos, almanaques e didáticos. Se consagrou também como dramaturgo, por suas comédias, dramas, revistas e operetas, encenados nos teatros de Vitória por mais de 30 anos, de 1890 a 1920.
Professor Amâncio participou da vida cultural da Capital em toda a sua existência e formou uma geração de capixabas amantes da história e da cultura. No entanto, seu nome e sua obra, ainda hoje, são desconhecidos pela maioria da população do ES.
Mas dar o devido reconhecimento à vasta obra literária, informativa e didática deste professor primário, negro e abolicionista, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa aprovou o projeto, do deputado Fabrício Gandini (PSD), que declara o educador “Patrono da Educação” no Estado do Espírito Santo.
“Por sua origem humilde, sem ter escolarização superior e ser descendente de negros, sofreu discriminação social, cultural e racial e, talvez por isso, sua obra, sobretudo a literária, tenha sido menosprezada pelos historiadores da literatura produzida no Espírito Santo, em todos os tempos”, analisa Francisco Aurélio Ribeiro, doutor em Letras, pesquisador da Literatura e da História do ES e presidente de honra da Academia Espírito-Santense de Letras (AEL).
Desde 1888, quando publicou sua primeira peça teatral, “Deomar”, drama em três atos com temática política, Amâncio Pereira fez da literatura uma aliada para expressar sua imensa criatividade, sua visão de mundo abolicionista, republicana e crítica da burguesia no poder, e, também, seu ganha-pão.
O deputado Gandini lembrou que conheceu a obra de Amâncio por meio do advogado, professor e escritor Anaximandro Amorim e, ao descobrir o legado, aceitou criar o projeto que concede o título de “Patrono da Educação Capixaba” a um homem que venceu os desafios do seu tempo com os seus próprios méritos.
“O projeto foi aprovado pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa. Caso também seja aprovado em plenário, será uma forma de valorizarmos de uma só vez o magistério e a raça negra”, observa o deputado estadual.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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