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Leonel Ximenes

Rita Lee homenageou 4 capixabas numa música. Uma delas é Rita Camata

"Pra mim soou como um grande reconhecimento de uma mulher muito à frente do seu tempo", afirma a ex-deputada federal

Publicado em 10 de Maio de 2023 às 16:53

Públicado em 

10 mai 2023 às 16:53
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Luz del Fuego, Nara Leão, Danuza Leão e Rita Camata
Luz del Fuego, Nara Leão, Danuza Leão e Rita Camata Crédito: Fotomontagem
Rita Lee, a grande referência feminina do rock brasileiro, gostava de homenagear mulheres à frente do seu tempo, talvez por ser ela mesma uma cantora que rompia barreiras e confrontava caretices. Quatro dessas mulheres são capixabas: Luz del Fuego, Danusa Leão, Nara Leão e Rita Camata.
As quatro são citadas na música “Todas as Mulheres do Mundo”, de 1993, um tributo a uma outra mulher que marcou época - Leila Diniz, símbolo da liberação sexual dos anos 1960.
“Toda mulher quer ser amada / Toda mulher quer ser feliz / Toda mulher se faz de coitada / Toda mulher é meio Leila Diniz”, diz um dos trechos da canção que cita muitas outras mulheres, no final, como Dercy Gonçalves, Norma Benguell, Fernanda Montenegro e até Nossa Senhora da Aparecida, a primeira da extensa lista.
Aliás, Luz del Fuego, a dançarina, naturista, atriz, escritora e feminista cachoeirense que ficou famosa por dançar com uma cobra em seu corpo, mereceu uma música com o seu nome. “Eu hoje represento a loucura / Mais o que você quiser / Tudo que você vê sair da boca / De uma grande mulher / Porém louca!”, diz a canção, de 1975, dos primeiros anos da carreira solo de Rita Lee, que deixara os Mutantes três anos antes.
As irmãs Nara Leão (Vitória), cantora, e Danuza Leão (Itaguaçu), jornalista e escritora, fizeram sucesso no Rio de Janeiro, para onde mudaram com a família ainda crianças.
De Rita para Rita. Única viva entre as capixabas homenageadas pela roqueira, a ex-deputada federal Rita Camata, viúva do ex-senador e ex-governador Gerson Camata, se notabilizou pelo seu trabalho na relatoria do projeto do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) na Câmara, promulgado em 1990.
"Rita Lee sempre foi importante para nós, mulheres. O sentimento é de grande honra e orgulho por ter estado com ela, por tê-la conhecido. Tenho muita admiração, carinho e respeito por ela. Sua história e o seu legado ficam para sempre. Rita Lee é eterna. Assim como as mulheres à frente do seu tempo"
Rita Camata - Ex-deputada federal
Essa projeção nacional e a coragem de defender o ECA, objeto de crítica e fúria de setores conservadores da sociedade brasileira, certamente foram fatores fundamentais para que Rita Lee, que morreu nesta terça (9) e foi cremada hoje (10), a incluísse no rol de homenageadas na música “Todas as Mulheres do Mundo”.
“Me sinto homenageada por esta música em que ela fala sobre todos os segmentos das mulheres do Brasil e de fora. Ser homenageada por uma artista como a Rita Lee é uma grande honra”, diz Rita, fã da cantora.
A ex-deputada destaca também como marco importante da sua trajetória política o período da Constituinte, momento em que os grandes temas nacionais foram debatidos pelo Congresso Nacional e pela sociedade.
“Isso [a homenagem de Rita Lee] aconteceu no período da Constituinte, quando eu me destaquei com muitos projetos e emendas. Na época, me destaquei como menina nova ainda. Pra mim soou como um grande reconhecimento de uma mulher muito à frente do seu tempo. Naquele momento, ela via que eu representava um grande avanço. Desbravava, como ela, a luta pela igualdade entre homens e mulheres”, afirma Rita Camata.

Todas As Mulheres do Mundo (Rita Lee)

Elas querem é poder
Mães assassinas, filhas de Maria
Polícias femininas, nazijudias
Gatas gatunas, kengas no cio
Esposas drogadas, tadinhas, mal pagas

Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
 Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz

 Garotas de Ipanema, minas de Minas
 Loiras, morenas, messalinas
 Santas sinistras, ministras malvadas
 Imeldas, Evitas, Beneditas estupradas

 Toda mulher quer ser amada
 Toda mulher quer ser feliz
 Toda mulher se faz de coitada
 Toda mulher é meio Leila Diniz

 Paquitas de paquete, Xuxas em crise
 Macacas de auditório, velhas atrizes
 Patroas babacas, empregadas mandonas
 Madonnas na cama, Dianas corneadas

 Toda mulher quer ser amada
 Toda mulher quer ser feliz
 Toda mulher se faz de coitada
 Toda mulher é meio Leila Diniz

 Socialites plebéias, rainhas decadentes
 Manecas alcéias, enfermeiras doentes
 Madrastas malditas, super-homem
sapatas Irmãs La Dulce beaidetificadas

 Toda mulher quer ser amada
 Toda mulher quer ser feliz
 Toda mulher se faz de coitada
 Toda mulher é meio Leila Diniz

 Nossa Senhora Aparecida, Dercy Gonçalves
 Clarice Lispector, Carmem Miranda, Marília Gabriela
 Hebe Camargo, Regina Casé e Elis Regina
 Lilian Witte Fibe, Norma Bengell, Bibi Ferreira
 Maria Bonita, Anita Malfatti, Magdalena Tagliaferro
 Danuza Leão, Nara Leão, Fernanda Montenegro
 Wanderléa, Sonia Braga, Luiza Erundina, Dona Canô
 Princesa Isabel, Joyce Pascowitch, Lonita Renaux
 Virginia Lane, Virginia Lee, Mary Lee, Liège Monteiro
 Lucinha Araújo, Balú, Caru, Pagu, Matilda Kovak
 Zélia Gattai, Angela Diniz, Daniela Perez, Cláudia Lessin
 Aida Curi, Elvira Pagã, Luz Del Fuego, Bruna Lombardi
 Hortência, Claudete e Ione, Silvia Poppovic
 Vania Toledo, Laura Zen, Minha Mãe, Roberta Close
 Mônica Figueiredo, Ruth Escobar, Dolores Duran
 Rebordosa, Dora Bria, Tizuka Yamasaki
 Tomie Ohtake, Rita Camata, Rita Cadillac, Lúcia Turnbul
 E eu, e eu, e eu, eu, eu, eu

 Toda mulher quer ser amada
 Toda mulher quer ser feliz
 Toda mulher se faz de coitada
 Toda mulher é meio Leila Diniz

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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