Uma das grandes revelações da geração de ouro da Desportiva Ferroviária, no final dos anos 1970, time do qual saiu também o ponta-esquerda Carlos Henrique, o ex-goleiro Rogério Baumgarten morreu na madrugada desta terça-feira (3), aos 60 anos de idade, em
Domingos Martins, onde nasceu e viveu depois de deixar o futebol profissional.
Rogério atuou na Desportiva como profissional até 1985, depois passou quatro temporadas no Bahia (1986-1989), onde sagrou-se bicampeão baiano e
campeão brasileiro de 1988. Depois, emprestado pelo Bahia, foi um dos destaques do Rio Branco de Americana (SP), e encerrou a carreira como campeão catarinense pela Chapecoense em 1996.
O ex-goleiro enfrentava uma forma agressiva de
câncer, o melanoma, que descobriu em 2013. Desde essa data, vinha enfrentando uma dura batalha contra a doença e perdeu o jogo neste início de novembro. Seu corpo foi cremado em Vitória ao meio-dia e sua morte foi muito lamentada por ex-companheiros de clube, como Pedrinho Soares.
“Temos um grupo de ex-atletas que se encontram uma vez por mês para jogar uma pelada e depois tomar uma cervejinha. No nosso último encontro, o Rogério veio e estava, aparentemente, bem. É uma perda muito grande de um ex-atleta exemplar e de um grande amigo, que vai fazer muita falta”, disse Pedro Soares, irmão do radialista Durval Soares, já falecido. Pedro também foi das divisões de base da Desportiva, só que de uma geração de dois anos antes.
Rogério havia perdido um pouco da motivação, segundo seu ex-colega Marcos Nunes, hoje dono de restaurante em Guarapari, depois que perdeu a mulher, em 2016, também com câncer. O jornal O Liberal, de Americana (SP), fez uma reportagem em 2019 mostrando a luta do ex-atleta contra a doença e enfatizou que, depois de ficar viúvo, Rogério, que tinha uma empresa de radiocomunicação em Vila Velha (ES), decidiu fechá-la e, a partir daí, não trabalhar mais.
Goleiro titular do Rio Branco (SP) em 1990, Rogério Baumgarten estava na luta contra câncer, escreveu o jornal, salientando que o ex-jogador estava morando num sítio em Domingos Martins, sua cidade natal, desfrutando da aposentadoria. “Só pescando, tomando a minha cervejinha”, contou na época.
Rogério também costumava se deslocar até
Vitória para seu apartamento, mas nem todas as viagens, porém, eram a lazer. Havia momentos em que o destino era a quimioterapia. “O tratamento está indo bem”, comentou na época.
Rogério foi ídolo em Americana. Formou a espinha dorsal do Rio Branco local, que subiu para a primeira divisão estadual. O ex-goleiro atuou em 38 dos 42 jogos daquela campanha.
“Para mim, foi importante conquistar esse acesso para a primeira divisão, não só para mim, mas para a cidade, para o elenco”, lembrou na época. Ele havia chegado ao clube justamente no ano do acesso, por empréstimo do Bahia.
O ex-goleiro revelou que tinha uma decepção com o mundo da bola. “Não quis mais porque os clubes não me pagavam”, lamentou o ex-jogador, que não mais quis saber de futebol.
Depois, se mudou para os
EUA. Na ocasião, foi atrás da irmã, que já morava no país. Rogério ficou em Boston, de 1997 até 2003, onde montou uma empresa de construção e demolição: “Como eu tinha desistido aqui, eu fui para batalhar lá. Lá eu me dei bem pra caramba, fui logo legalizado, era cidadão americano”.
Rogério voltou para o Brasil em 2003 e logo comprou a empresa de radiocomunicação em Vila Velha. Depois que descobriu a doença, o maior compromisso do ex-goleiro, que fez história no Rio Branco, foi com a própria saúde, principalmente depois que perdeu a mulher há quatro anos.