O
Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) anunciou nesta terça-feira (20) que vai desenvolver novas variedades de inhame (taro) adaptadas às condições de cultivo do Espírito Santo, com foco no aumento da produtividade, na qualidade do alimento e no fortalecimento da agricultura familiar. As pesquisas já estão em andamento e, segundo o Incaper, devem contribuir para reforçar o protagonismo nacional do Estado nessa cultura.
E de inhame o Espírito Santo entende: o Estado, apesar de sua pequena extensão territorial, responde por quase metade de todo o inhame produzido no Brasil. Em 2024, a produção capixaba alcançou 120,5 mil toneladas, em uma área colhida de 3,3 mil hectares, com produtividade média de 36,9 toneladas por hectare.
O Valor Bruto da Produção (VBP) foi de R$ 276,8 milhões, evidenciando a relevância econômica e social da cultura, especialmente para agricultores familiares.
Entre as pesquisas em curso, destaca-se o projeto “Potencialização da cultura do taro no Espírito Santo: caracterização de germoplasma, diversidade genética e seleção de variedades”, aprovado no Edital Universal (Nº 44/2024) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em uma chamada de abrangência nacional, a proposta figura entre as sete da área de Agronomia selecionadas no Espírito Santo, com investimento de R$ 147,7 mil.
“O apoio do CNPq amplia a visibilidade nacional do trabalho realizado pelo Incaper e permite aprofundar os estudos com foco na seleção de genótipos mais produtivos, adaptados às condições locais e com melhor qualidade nutricional”, afirma a pesquisadora Rosenilda de Souza, coordenadora do projeto.
A pesquisa tem como base o Banco de Germoplasma de Taro do Incaper, que reúne 40 acessos (materiais genéticos) da cultura. A coleção está localizada no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins. Os materiais serão avaliados em áreas de alta e baixa altitude – nos municípios de Domingos Martins e Viana, respectivamente – sob manejo agroecológico, ao longo de três safras agrícolas, considerando características agronômicas, adaptativas, genéticas e físico-químicas.
Atualmente, as cultivares de inhame mais plantadas no Espírito Santo são Chinês, São Simão, Macaquinho e São Bento. A cultivar São Bento se destaca por ser genuinamente capixaba, originária da localidade de São Bento de Urânia, no município de Alfredo Chaves e por ser detentora de Indicação Geográfica (IG), obtida com apoio do Incaper.
Em 2024,
Alfredo Chaves liderou a produção capixaba de inhame, com 31,7 mil toneladas, seguido por Laranja da Terra (16,5 mil toneladas), Marechal Floriano (10,5 mil toneladas) e Santa Leopoldina (9,2 mil toneladas). Também se destacam municípios como Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá e Muniz Freire, reforçando a importância da cultura para a economia regional.