“Antes de mais nada quero registrar o meu carinho e admiração pela cantora gospel Cassiane, que acompanho há quase 30 anos, na minha caminhada cristã-protestante. Quero registrar, também, a letra profunda sobre o poder transformador da voz de Deus”, diz Jaqueline, que no entanto critica a mensagem passada pelo clipe.
“Fazendo essa consideração, gostaria de registrar o meu repúdio pela construção das cenas do clipe da música ‘A Voz’, que traz uma mulher silenciada pela grande violência física, mental e patrimonial do marido. Concordo com a importância de orar, mas não de abrir mão de denunciar, independentemente da nossa posição cristã.”
A vice-governadora cita uma pesquisa realizada pela
Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, que a inspirou a criar políticas públicas para as mulheres vítimas de violência. Segundo Jaqueline, o estudo revelou que 40% das mulheres que se declararam vítimas de agressões físicas e verbais de seus maridos são evangélicas.
“Isto me moveu a criar, dentro do programa Agenda Mulher, em parceria com pastoras e líderes evangélicas, um
projeto chamado ‘Viver em Paz’ onde tratamos no seio da igreja a violência doméstica, na maioria das vezes silenciada por frases do tipo ‘ora que melhora’, ‘isso é coisa do diabo’, ‘pague um preço irmã por ele’... Essas e tantas outras frases nos fazem acreditar que nas primeiras práticas da violência a mulher deve procurar as redes de proteção e denunciar”, alerta a vice.