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Letícia Gonçalves

A corrida de Flávio Bolsonaro pelo voto feminino e os tropeços no ES

Senador do PL até chamou a Lei Maria da Penha de "pedaço de papel". Ele propõe uma assistente virtual para falar com mulheres

Publicado em 25 de Julho de 2026 às 07:02

Públicado em 

25 jul 2026 às 07:02
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Evento do PL em Vitória com Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro discursa durante encontro estadual do PL, em Vitóiria Foto: Fernando Madeira
Quando esteve em Vitória, no último dia 18, o senador Flávio Bolsonaro (PL) não mencionou o caso mais rumoroso que o envolve, a ligação com Daniel Vorcaro

O encontro do PL foi marcado por críticas ao presidente Lula (PT) e a "bandidos", mas sem nenhuma lembrança ao banqueiro, a eventuais rachadinhas ou ao crescimento patrimonial do próprio Flávio. 

O candidato à Presidência da República decidiu fazer um aceno às mulheres. É nessa fatia do eleitorado que há mais resistência ao nome dele. 

Não à toa, após brigar publicamente com a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), Flávio pediu desculpas, na quinta-feira (23). Quer que ela suba no palanque.

Estou dizendo que mulheres não votam em Flávio de jeito nenhum? Não. Há mulheres de direita e extrema direita que seguem a cartilha bolsonarista.

Mas os principais fãs do senador são homens. A corrida pela presidência é acirrada. Lula, candidato à reeleição, é tão competitivo quanto o nome do PL e às vezes o ultrapassa nas pesquisas de intenção de voto.

Assim, Flávio não pode esnobar uma parte chave dos eleitores, ou seja, as eleitoras.

O apelo que ele faz às mulheres, porém, é raso e, basicamente voltado à segurança pública.

Claro que o feminicídio e casos de violência contra a mulher são um problema real, principalmente no Espírito Santo.

Mas Flávio, em discurso numa área de eventos do Aeroporto de Vitória no dia 18, até chamou a Lei Maria da Penha de "pedaço de papel".

A lei é o maior instrumento de defesa das mulheres que há no país. Não é suficiente para resolver a questão, mas um grande avanço.

"Quem não fica indignado quando você vê um ex-companheiro de uma mulher  enfiando a porrada numa mulher num elevador?", bradou o filho de Jair.

"Sou pai de menina, tenho duas", comentou.

"São as melhores coisas que aconteceram na minha vida, depois da minha esposa Fernanda. Fernanda, te amo".

Aliás, a esposa do senador, que até então tinha uma postura discreta, já foi escalada para entrar na campanha, em mais um esforço para conquistar a simpatia do eleitorado feminino.

"A vontade que dá é de quebrar na porrada. É ou não é?", questionou Flávio, a respeito de agressores de mulheres.

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"Mas a gente tem lei no Brasil. Esses marginais têm que ficar mais tempo presos. Esse pedaço de papel que é Maria da Penha não vai defender as mulheres. 
Vamos usar a tecnologia para proteger as mulheres de verdade", discursou o candidato do PL, ainda em Vitória.

Em outras ocasiões, ele mencionou que, se eleito, vai fornecer uma assistente virtual, uma IA, chamada MarIA para atender as mulheres.

Nenhuma palavra sobre a cultura e os valores, muitas vezes ditos do "cidadão de bem", que minimizam e até incentivam a subjugação de mulheres. 

É isso que, ao fim e ao cabo, culmina na agressão física e no feminicídio no Brasil.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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