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Corrida pelo Senado

A estratégia de Erick Musso para surpreender Magno Malta

Presidente da Assembleia Legislativa entrou de última hora na corrida pelo Senado e, segundo aliados, é menosprezado pelo veterano ex-senador

Publicado em 29 de Julho de 2022 às 15:45

Públicado em 

29 jul 2022 às 15:45
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Erick Musso
Presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Erick Musso Crédito: Ellen Campanharo/Ales
A retirada do ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli (Republicanos) da disputa pelo Senado, por ordem da direção nacional do partido, provocou uma reviravolta na corrida pela única cadeira a ser aberta na Casa para postulantes do Espírito Santo.
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, até então pré-candidato ao governo, foi deslocado para substituir Meneguelli.
Nos bastidores, no Republicanos todos são uníssonos ao apontar que o ex-prefeito foi rifado a pedido do PL do ex-senador Magno Malta e até o presidente da República, Jair Bolsonaro, correligionário e aliado dele, entrou na jogada para garantir isso.
Meneguelli tinha potencial para tirar votos de Magno. PL e Republicanos são aliados nacionalmente.
Já Erick não é visto como ameaça por Magno. "Ele acha que vence Erick com os pés nas costas", admite um republicano.
O ex-senador já negou à coluna ter feito qualquer intervenção para retirar a pré-candidatura do ex-prefeito.
O presidente da Assembleia Legislativa, por sua vez, tem uma estratégia.
A senadora Rose de Freitas (MDB), cuja cadeira está em disputa, vai em busca da reeleição. De acordo com pesquisa Ipec divulgada no início de maio, ela, Magno e Meneguelli eram os concorrentes mais fortes.
Erick, por sua vez, para fazer frente ao ex-senador e à senadora, vai se apresentar como jovem, "o novo na política".
Ele tem 35 anos, a idade mínima exigida para quem quer ser senador. Começou na política cedo, apadrinhado inicialmente pelo avô, o ex-deputado estadual Heraldo Musso. 
Aos 27 anos, Erick foi o deputado estadual mais jovem da legislatura que tomou posse em 2015. E depois virou pupilo do então governador Paulo Hartung (na época filiado ao PMDB).
O deputado disputa o mesmo nicho eleitoral de Magno: o público conservador e evangélico.
O PASTOR
E vai atrás de uma aliança com o pastor Nelson Junior, do Avante, que também é pré-candidato ao Senado.
"O Nelson vai ser candidato como? Sozinho, o Avante tem sete segundos de propaganda de TV", diz uma pessoa próxima ao presidente da Assembleia Legislativa.
Erick já havia ensaiado uma aproximação com Nelson Junior, mas isso quando ainda era pré-candidato ao Palácio Anchieta.
Depois, a Rede, do ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos, costurou uma aliança com o Avante nacional, que coloca o partido no palanque do redista na corrida pelo governo.
A coligação do ex-prefeito, também por decisões tomadas fora do estado, também é integrada pelo PSOL, que está federado com a Rede. Assim, haveria, digamos, certo desconforto para o pastor conservador do movimento "Eu escolhi esperar" lançar-se ao Senado na chapa de Audifax, embora ele tenha sido convidado a fazê-lo.
Erick também pretende pedir o apoio do coronel Alexandre Ramalho (Podemos), se este não for lançado ao Senado. 
Ramalho já disse que ou é candidato a senador ou a nada. Ele é aliado do governador Renato Casagrande (PSB), mas também é bolsonarista, o que o aproxima de Erick.
Por último, o presidente da Assembleia conta com o tempo de propaganda de TV e rádio do União Brasil. O partido do deputado federal Felipe Rigoni vai fazer uma coligação com o Republicanos apenas para eleger Erick ao Senado, sem se aliar a nenhum candidato ao governo.
Rigoni, que também desistiu de concorrer ao Palácio Anchieta e vai tentar a reeleição, tem 31 anos. A dupla se apresenta como os nomes do "novo ciclo da política do Espírito Santo".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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