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Para além das eleições

A parceria entre o casagrandista Podemos e o Republicanos de Pazolini

Os dois partidos firmaram alianças pontuais nas eleições de 2024 e seus líderes posaram juntos para foto. Nos bastidores, há mais elementos nessa imagem

Publicado em 04 de Novembro de 2024 às 12:06

Públicado em 

04 nov 2024 às 12:06
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Gilson Daniel, Lorenzo Pazolini e Erick Musso
Gilson Daniel, Lorenzo Pazolini e Erick Musso. Na legenda da foto, Gilson Daniel escreveu que está à disposição da Capital Crédito: Instagram/@gilsondaniel1919
O Podemos, que integra a base aliada ao governo Renato Casagrande (PSB), e o Republicanos, partido do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, estão cada vez mais próximos. As duas legendas fazem parte de grupos políticos distintos, mas unem-se em ocasiões pontuais, como na disputa por algumas prefeituras capixabas. 
Na semana passada, uma imagem chamou a atenção. Presidente estadual do Podemos, o deputado federal Gilson Daniel posou para uma foto ao lado de Pazolini e na companhia do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. 
Pazolini e Republicanos, como se sabe, têm planos que não estão de acordo com os do grupo de Casagrande. O prefeito de Vitória, aliás, é considerado, nos bastidores, um possível candidato ao Palácio Anchieta em 2026, o que o colocaria em rota de colisão com o nome a ser apoiado pelo atual chefe do Executivo estadual.
O encontro entre Gilson, Pazolini e Erick não é um retrato de uma aliança futura. É algo ocasional, como já mencionei, mas não deixa de ser sintomático.
Em conversa com a coluna pouco antes do segundo turno, Erick Musso preferiu não tratar concretamente das possíveis candidaturas de 2026, mas na hora de citar os principais aliados atuais do Republicanos, não titubeou: 
"Temos proximidade com o Progressistas e com o Podemos, fizemos muitas alianças com o Podemos".
O PP também apoia o governo Casagrande, mas há tempos consolidou-se como parceiro do partido de Pazolini.
O Podemos é que é uma certa novidade nessa história. E é relevante, pois o partido saiu fortalecido das eleições municipais e, a partir de janeiro de 2025, vai ser o partido que vai governar mais habitantes do Espírito Santo, considerando a população das cidades em que elegeu prefeitos.
"Tenho boa relação com Erick e Pazolini. O Pazolini, aliás, é meu amigo antes de ele ingressar na política, quando era delegado e eu, prefeito de Viana", lembrou Gilson Daniel, nesta segunda-feira (04).
 "O movimento político deles não está atrelado ao governador, mas nós (do Podemos) estamos sempre com o governador", ressaltou Gilson.
O Podemos também tem um possível candidato ao governo estadual em 2026, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, aliadíssimo de Casagrande.
E, é claro, há muita água a passar embaixo da ponte até 2026.
O prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), já avaliou que, hoje, o casagrandista pré-candidato ao Palácio Anchieta é o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), com quem o Podemos e Gilson Daniel também têm uma boa relação.
Gilson Daniel, ao falar com a coluna, foi breve e nem tratou de 2026: "Está muito cedo".
RECADO NAS ENTRELINHAS
A questão, porém, nem são os possíveis candidatos. É a movimentação do Podemos propriamente dita e os recados não verbalizados que isso pode conter.
O Podemos está desde sempre na base de Casagrande e chegou a compor o governo. 
Coronel Ramalho foi secretário estadual de Segurança Pública filiado à legenda e contava como "cota" do partido, mas saiu do primeiro escalão no início do ano e depois deixou também o Podemos e ingressou no PL.
Desde então, a sigla de Gilson Daniel não comanda secretaria, subsecretaria ou autarquia no governo Casagrande. Sim, a secretária estadual de Governo, Maria Emanuela Alves Pedroso, é filiada ao Podemos, mas o partido a considera "escolha pessoal de Casagrande" e não indicação política da sigla. 
O mesmo ocorre em relação ao ex-subsecretário de Turismo Gedson Merízio (Podemos), que agora é assessor especial na Casa Civil.
Assim, apesar da fidelidade ao governador, há insatisfação em algumas alas do partido devido a essa falta de representação. Traduzindo: o Podemos se ressente por ter menos cargos no governo que outras siglas, como o Progressistas (PP).
Gilson Daniel aparecer ao lado de Pazolini e Erick Musso não sinaliza nenhum rompimento, mas diante desse cenário, gera ao menos uma reação: 👀
O Podemos lançou 26 candidatos a prefeito no Espírito Santo em 2024 e elegeu 11. Seis desses 11 contaram com a ajuda do Republicanos compondo suas coligações.
As duas siglas estiveram lado a lado, por exemplo, nas cidades em que o Podemos conquistou algumas de suas principais vitórias: Vila Velha (Arnaldinho Borgo reeleito), Viana (Wanderson Bueno reeleito) e Fundão (Eleazar Lopes eleito).
Em Fundão, aliás, o vice eleito, Fernando Gustavo, é do Republicanos.
O partido de Pazolini, por sua vez, lançou 24 candidatos a prefeito e elegeu nove. Dois dos eleitos contaram com coligações integradas pelo Podemos, em João Neiva (Micula) e Sooretama (Fernando Camiletti). 
O Podemos não esteve com o Republicanos em Vitória (mas também não se aliou a nenhum dos adversários de Pazolini) nem em Guarapari. Na Serra, o partido de Gilson Daniel trabalhou arduamente por Weverson Meireles (PDT) contra Pablo Muribeca (Republicanos).
Em algumas cidades, os dois partidos disputaram um contra o outro diretamente, como em Linhares. Lá, Lucas Scaramussa (Podemos) destronou Bruno Marianelli (Republicanos).

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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